Ministro da Fazenda descarta ajuste de R$200 bilhões e defende plano fiscal gradual
Em entrevista concedida nesta sexta‑feira (23), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o programa de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva prevê um ajuste das contas públicas sem “dar cavalo de pau” ou “fazer loucuras” na economia. Segundo Durigan, a estratégia do PT é conter o crescimento da dívida pública, reduzir a taxa de juros e melhorar a atividade econômica, que tem apresentado sinais de desaceleração.
Ajuste fiscal sem “cavalo de pau”
Durigan ressaltou que a proposta do governo se baseia em um ajuste gradual, da ordem de dois pontos do Produto Interno Bruto (PIB), a ser implementado ao longo do possível quarto mandato de Lula. O ministro descartou a possibilidade de alcançar um ajuste de R$ 200 bilhões em um único ano, considerando a medida inviável dentro das diretrizes de manutenção de programas sociais, aumento do salário mínimo acima da inflação e dos benefícios como o Bolsa Família.
Limites do ajuste de R$200 bilhões
“Não dá para fazer R$ 200 bilhões como dizem. Se parassem de reajustar e cortassem programas seria mais fácil, mas perderíamos clareza nas propostas”, declarou Durigan. O ministro afirmou que o objetivo é melhorar o fiscal sem retrocessos, preservando investimentos em saúde, educação e demais áreas essenciais.
Propostas da oposição
A campanha de Flávó Bolsonaro, principal adversário de Lula nas eleições de 2026, tem defendido um “tesouraço” nos gastos públicos, prometendo um ajuste mais rápido e incisivo. O programa da oposição inclui, entre outros pontos, redução de impostos, reforma do Estado e combate à corrupção. Economistas apontam, porém, que a proposta enfrenta restrições devido ao compromisso do governo com a ampliação de benefícios sociais e a necessidade de evitar cortes profundos em serviços públicos.
Meta de superávit para 2027
Durigan garantiu que o governo pretende apresentar superávit primário já em 2027, conforme a proposta de orçamento vigente. A meta está alinhada a um cenário de ajuste fiscal de dois pontos do PIB entre 2027 e 2030, que levaria o déficit primário de 0,4% do PIB em 2026 a um superávit de 1,6% do PIB em 2030. O relatório de acompanhamento fiscal da Instituição Fiscal Independente (IFI), divulgado em junho, indica que seria necessário um superávit primário anual de 2,1% do PIB apenas para estabilizar a dívida pública.
Desafios apontados pelos analistas
Especialistas em finanças públicas alertam que o caminho para alcançar as metas é complexo. Os déficits fiscais acumulados nos últimos anos pressionam a taxa de juros e aumentam a dívida, exigindo um ajuste mais robusto do que o proposto pelo governo. Ao mesmo tempo, a necessidade de preservar programas sociais cria um teto para cortes de gastos, o que pode limitar a amplitude do ajuste fiscal.
Com informações de G1 Economia.
Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial da Gazeta Nacional.
— Redação Gazeta Nacional