PF encontra amostras de vírus em congelador de casa de investigados por furto na Unicamp
A Polícia Federal localizou 291 microtubos com amostras biológicas dentro de um congelador doméstico durante investigação sobre o furto de vírus da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O material foi encontrado em caixas plásticas na cozinha de Soledad Palamenta Miller e Michael Edward Miller, em Campinas, durante cumprimento de mandado de busca em março.
A descoberta representa um novo desdobramento no caso revelado pelos documentos do processo ao qual a mídia teve acesso nesta segunda-feira. As caixas, armazenadas junto a alimentos congelados, continham microtubos com marcações manuscritas e conteúdo ainda não totalmente identificado. O material foi encaminhado para análise do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).
Informações anteriores indicavam que todas as amostras haviam sido recuperadas dentro da própria universidade, o que torna essa descoberta doméstica um elemento significativo na apuração dos fatos.
Material em três locais distintos
Além da residência, a perícia constatou a presença de amostras em dois outros endereços na Unicamp. Na Faculdade de Engenharia de Alimentos, cinco caixas com material biológico foram encontradas dentro de um ultracongelador a -80°C. No Instituto de Biologia, materiais estavam distribuídos em diferentes pontos do Laboratório de Doenças Tropicais, incluindo um ultracongelador no subsolo e resíduos descartados em lixeiras.
Entre os achados destaca-se um tubo identificado como contendo vírus H1N1, encontrado em um freezer mantido a -20°C — temperatura considerada inadequada para preservação. A identificação manuscrita indicava origem no Butantan e data de setembro de 2025.
Evidência visual de segurança
Registros de câmeras de segurança documentaram a circulação dos investigados em áreas restritas do laboratório. Michael Miller foi filmado frequentemente em horários noturnos, finais de semana e períodos de recesso, acessando laboratórios NB-2 e NB-3 — este último o nível máximo de biossegurança no Brasil. Em diversas ocasiões, ele manipulava agentes infecciosos sem usar Equipamentos de Proteção Individual obrigatórios.
Soledad Palamenta Miller também foi registrada circulando em áreas restritas após sua desvinculação formal do grupo de pesquisa em janeiro de 2025, caracterizando ingresso não autorizado.
Investigação em andamento
A Unicamp concluiu uma sindicância interna e instaurou um Processo Administrativo Disciplinar para apurar infrações. A instituição implementou medidas de segurança, incluindo bloqueio de acesso dos investigados às instalações de pesquisa e reforço no monitoramento biométrico.
A professora responde sob liberdade provisória por crimes como furto qualificado, fraude processual e perigo para saúde pública. Michael Miller continua sendo investigado pelo furto do material. A PF descartou a hipótese de terrorismo biológico, apontando motivações ligadas a pesquisas internas do casal.
Com informações de G1.
Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial da Gazeta Nacional.
— Redação Gazeta Nacional