Braskem pede recuperação extrajudicial após desastre ambiental em Maceió
A Braskem anunciou nesta segunda-feira (24 de agosto) um pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar sua dívida bilionária. O movimento ocorre em meio aos impactos contínuos do colapso de solo causado pela mineração de sal-gema em Maceió, que já afetou cerca de 60 mil pessoas.
Mineração e primeiras falhas
A extração de sal-gema na capital alagoana começou em 1976, quando a empresa Salgema Indústrias Químicas iniciou as operações com autorização do poder público. O minério é utilizado na fabricação de soda cáustica e PVC. Ao longo dos anos, a empresa passou por mudanças de nome — Trikem (1996) e Braskem (2002) — antes de consolidar operações na região metropolitana com a inauguração de uma fábrica em Marechal Deodoro em 2012.
Em fevereiro de 2018, o problema veio à tona. Surgiram as primeiras grandes rachaduras no bairro do Pinheiro, incluindo uma fissura com 280 metros de extensão. Um mês depois, um tremor de magnitude 2,5 agravou o cenário, provocando danos irreversíveis nos imóveis e alertando para a instabilidade do solo.
Evacuações em massa e investigações
Em maio de 2019, o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) confirmou que a extração realizada pela Braskem havia provocado a instabilidade. Isso levou às primeiras ordens de evacuação para os bairros de Pinheiro, Mutange e Bebedouro, posteriormente ampliadas para partes de Bom Parto e Farol.
Apenas em novembro de 2019 a Braskem anunciou o fechamento definitivo de seus poços de sal-gema na região. O trabalho de estabilização envolvia 35 minas com profundidade média de 886 metros — um processo que especialistas estimavam levar pelo menos 10 anos. Desde então, mais de 14 mil imóveis foram desocupados.
Crise se aprofunda e rompimento parcial
Em dezembro de 2023, após uma série de tremores, ocorreu o rompimento parcial da mina 18, que foi estabilizada com preenchimento de rocha e água. A Prefeitura decretou situação de emergência, reconhecida pelo governo federal no mês seguinte.
As consequências vão além das áreas oficialmente reconhecidas. Em 2025, a Defensoria Pública de Alagoas identificou indícios de afundamento em regiões do Bebedouro e Bom Parto fora das áreas de risco oficial, onde ainda residem moradores enfrentando isolamento socioeconômico. Em junho do mesmo ano, novos sinais de colapso surgiram nos bairros do Farol e Pinheiro.
Compensações e ações legais
A Braskem criou um Programa de Compensação Financeira em 2019 para indenizar proprietários. Em janeiro de 2023, firmou acordo para ressarcir a Prefeitura de Maceió em R$ 1,7 bilhão. Mais recentemente, em novembro de 2025, empresa e governo anunciaram um acordo de R$ 1,2 bilhão a ser pago em 10 anos, com R$ 139 milhões já desembolsados.
A Polícia Federal iniciou a Operação Lágrimas de Sal em 2023 para investigar o desastre. Em 2026, a Justiça Federal recebeu denúncia do Ministério Público Federal contra a Braskem e ex-dirigentes e técnicos envolvidos, tornando-os réus em ação penal que apura responsabilidade por crimes que incluem poluição ambiental qualificada, apresentação de estudos ambientais falsos, extração irregular de minério e dano ao patrimônio.
Com informações de G1 Economia.
Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial da Gazeta Nacional.
— Redação Gazeta Nacional