Freiras trazem atendimento médico gratuito a favela no Quênia e descobrem doenças escondidas
Um bairro pobre em Mombasa, no Quênia, conhecido informalmente como “Bangladesh”, recebeu neste mês um mutirão médico gratuito organizado pelas Irmãs de São José da Arquidiocese de Mombasa. Ao longo de dois dias, moradores enfrentaram filas desde antes do amanhecer para ter acesso a exames que nunca haviam feito.
O que os médicos encontraram
A triagem, conduzida pelo Hospital Missionário Madre Amadea, revelou um cenário preocupante: casos de hipertensão nunca diagnosticados, doenças de pele ligadas à falta de saneamento básico e até suspeitas de câncer que ainda precisam de investigação mais profunda. Dos quase 1.140 atendidos – de milhares que buscaram ajuda – boa parte não sabia sequer que tinha pressão alta ou glicose fora do normal. Segundo o superintendente médico do hospital, alguns pacientes com apenas 20 anos apresentaram hipertensão, o que contraria a crença comum na comunidade de que a doença só afeta pessoas mais velhas.
Tratamento interrompido pela pobreza
Um dos achados mais duros foi que muitos moradores já haviam sido diagnosticados antes, mas abandonaram o tratamento por falta de dinheiro ou de apoio social. As irmãs decidiram bancar, do próprio bolso, a taxa de adesão ao seguro público de saúde para quem precisa de cirurgia urgente – uma forma de garantir que o Estado cubra o resto do procedimento.
Fé e cuidado lado a lado
Para a administradora do hospital, a Irmã Verônica Wanjiru, a ação está diretamente ligada ao carisma da congregação: servir os pobres com simplicidade, seguindo o exemplo de Cristo. A equipe também promoveu palestras sobre saúde mental e prevenção ao câncer, temas raramente discutidos abertamente na comunidade.
A reportagem original, com depoimentos completos da equipe médica e das freiras envolvidas, foi publicada pela ACI África, serviço da EWTN News no continente, e reproduzida no Brasil pela Gazeta do Povo.
Maickel Katz