Ex‑presidente do BRB pressionou por compras de carteiras do Banco Master apesar de alertas da PF
Um relatório parcial da Polícia Federal revelou que Paulo Henrique Costa, ex‑presidente do Banco de Brasília (BRB), insistiu na conclusão rápida de operações com o Banco Master mesmo após receber alertas internos sobre irregularidades nas carteiras de crédito da instituição privada.
Pressão interna apesar de alertas
Mensagens trocadas entre Costa e membros da diretoria financeira do BRB mostram que, em dezembro de 2024, o executivo exigia a análise de um volume de R$ 71 milhões em menos de 24 horas. O então diretor de Finanças, Dario Oswaldo Garcia Junior, respondeu que iria “apertar” a equipe responsável pela avaliação.
Operações de quase R$ 1 bilhão
Em outra troca, datada de 23 de dezembro, Costa enumerou cinco negócios que somariam aproximadamente R$ 1 bilhão, incluindo a compra de carteiras de crédito no limite de R$ 408 milhões, a liquidação de venda de NPLs de R$ 200 milhões e outras transações de R$ 196, 70 e 150 milhões. O ex‑presidente chegou a indicar que as duas primeiras operações deveriam ser concluídas no mesmo dia.
Fragmentação para driblar limites
O relatório aponta ainda que a Diretoria Colegiada do BRB, que só pode deliberar sobre aquisições até R$ 750 milhões, teria aprovado 25 transações de exatamente esse valor, totalizando R$ 17,5 bilhões. Essa prática permitiu que o banco contornasse a necessidade de levar os negócios ao Conselho de Administração.
Indiciados e contexto da Operação Compliance Zero
A Polícia Federal incluiu no inquérito 15 pessoas, entre elas o ex‑presidente do BRB, o ex‑dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e outros ex‑gestores das duas instituições. O caso faz parte da Operação Compliance Zero, que investiga supostos esquemas de fraude e lavagem de dinheiro envolvendo as carteiras adquiridas pelo BRB.
Reações das defesas
Os advogados de Vorcaro e de Costa alegam que o indiciamento foi precipitado, que ainda faltam perícias técnicas e que não há prova de prejuízo ao BRB. A defesa de Vorcaro destaca a ausência de conclusão das auditorias e pede a revogação de sua prisão preventiva. Já a defesa de Costa sustenta que ele atuou dentro dos limites da governança institucional e que as operações geraram receitas para o banco público.
O BRB, controlado pelo Governo do Distrito Federal, continua sob pressão para esclarecer os prejuízos bilionários vinculados ao esquema do Banco Master, enquanto o processo judicial avança.
Com informações de G1 Política.
Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial da Gazeta Nacional.
— Redação Gazeta Nacional