Política

Bloco de apoio a Hugo Motta pode deixar PL sem prioridade nas comissões da Câmara

Com o apoio de dez partidos do Centrão, três da esquerda (PSB, PDT e PV) e indicações de que o PT também se alinhará, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), está perto de consolidar o maior bloco parlamentar para a próxima legislatura. A formação desse agrupamento pode mudar drasticamente a distribuição de cargos nas comissões, isolando o Partido Liberal (PL) – que hoje detém a maior bancada individual – dos privilégios de escolha.

Regra de prioridade nas comissões

Segundo o regimento da Câmara, a bancada mais numerosa tem direito de fazer os primeiros pedidos de presidência das comissões e das vagas da Mesa Diretora. Quando partidos atuam isoladamente, o PL, com 121 cadeiras, garantiria as três primeiras presidências, inclusive a da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), considerada a mais influente.

O efeito dos blocos

No entanto, a regra muda quando há formação de blocos. O critério passa a considerar o número total de deputados que compõem o bloco, e não o tamanho dos partidos individualmente. Projeções de técnicos do Congresso indicam que, se o bloco de Motta reunir ao menos 17 partidos, os 15 primeiros pedidos de presidência de comissões seriam ocupados por partidos do Centrão ou pelo PT, relegando o PL à 16ª posição. Isso significaria perder as comissões mais estratégicas, ainda que mantivesse presença em sete delas.

Estratégia do PL

Representantes do PL alertam que permanecer fora do bloco pode comprometer sua influência nas discussões legislativas. Por outro lado, integrar o agrupamento faria do PL o maior partido dentro do bloco, garantindo, ainda que de forma reduzida, algum espaço de decisão. A estratégia adotada por Motta, descrita por analistas como “jogada de mestre”, visa forçar o PL a escolher entre perder prioridade ou entrar no bloco para manter certa relevância.

Reações e posicionamentos

Deputados do PT, como Rubens Pereira Jr., Alencar Santana e Carlos Zarattini, já manifestaram apoio a Motta, mas aguardam a definição oficial após as eleições presidenciais. A federação PSOL‑Rede ainda está deliberando, ponderando o impacto de possíveis mudanças no sistema eleitoral – proposta do Centrão de adotar o distrital misto, que o PSOL rejeita.

Desdobramentos futuros

A consolidação do bloco será oficializada no início da nova legislatura, quando as vagas da Mesa Diretora e das comissões forem preenchidas. Enquanto isso, o PL concentra esforços na disputa pela presidência do Senado, onde também almeja ampliar sua influência. O desenrolar dessas negociações determinará se o PL conseguirá preservar algum poder de barganha ou se será efetivamente marginalizado nos rumos da Câmara dos Deputados para o mandato de 2027.

Com informações de G1 Política.

Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial da Gazeta Nacional.

— Redação Gazeta Nacional

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