Crédito consignado CLT dispara 48% no semestre, mas inadimplência bate recorde
O crédito consignado CLT para trabalhadores da iniciativa privada, uma das apostas do governo Lula para baratear o acesso a empréstimos, viveu uma expansão explosiva no primeiro semestre deste ano — mas também impulsionou a inadimplência do consignado a um patamar recorde, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta quinta-feira (30). O resultado reacende o debate sobre os riscos de um endividamento maior das famílias brasileiras.
Consignado CLT cresce mais rápido que qualquer outra linha de crédito
O saldo de empréstimos consignados privados avançou 47,8% apenas nos seis primeiros meses de 2026 e acumula alta de 143,1% em 12 meses, o ritmo mais acelerado entre as principais modalidades de crédito do país. O estoque da modalidade somava R$ 113 bilhões em junho — quase o triplo do patamar registrado antes da mudança nas regras, que passou a permitir que qualquer trabalhador formal da iniciativa privada, incluindo domésticos e rurais, tivesse acesso à linha, antes restrita a acordos individuais entre empregadores e bancos.
Inadimplência do consignado bate recorde em meio ao boom de empréstimos
O lado ruim da expansão apareceu nos números de calote: a inadimplência no consignado privado subiu para 8,6% em junho, o maior porcentual da série histórica do produto. Em apenas um ano, o indicador avançou 3,1 pontos percentuais, alta bem superior à média registrada no crédito livre para pessoas físicas em geral. Para o chefe de estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, tanto o crescimento da carteira quanto o avanço da inadimplência são movimentos “bastante expressivos” e ainda sem sinal claro de estabilização.
Governo aposta no FGTS como garantia para conter o calote
Uma medida aprovada no fim de junho passou a permitir que os bancos usem o saldo do FGTS dos trabalhadores para quitar parcelas em atraso do consignado, numa tentativa de reforçar as garantias da linha e conter o avanço da inadimplência. Ainda assim, a maior parte das novas operações parece representar dívida nova, e não a substituição de empréstimos mais caros, o que contraria o argumento do governo de que o programa reduziria o custo do crédito sem estimular o consumo ou a inflação.
Endividamento das famílias resiste a programa de renegociação às vésperas da eleição
Outro levantamento do Banco Central, também divulgado nesta quinta, mostrou que o endividamento das famílias praticamente não recuou em maio, mesmo com o início de um amplo programa de renegociação de dívidas lançado por Lula no mesmo mês, medida que integra a estratégia do presidente para a disputa pela reeleição em outubro. A parcela da renda comprometida com o pagamento de dívidas chegou a 28,5%, novo recorde da série. O cenário ocorre em meio à Selic em 14,25%, um dos juros reais mais altos entre as principais economias do mundo.
Com informações da Reuters.
Conteúdo redigido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial de Maickel Katz.
— Maickel Katz