Série do Fantástico sobre a China divide opiniões e reacende debate sobre parceria da Globo com estatal chinesa
Uma série exibida pelo Fantástico neste ano reacendeu o debate sobre a relação entre a TV Globo e a China. Batizada de “Entre 2 Mundos”, a produção estreou em 26 de abril e trouxe seis episódios comparando o desenvolvimento tecnológico e de infraestrutura entre China e Estados Unidos, também exibidos em resumo no Jornal Nacional.
Reformulação da cobertura internacional
Para produzir a série, a Globo transferiu o repórter Felipe Santana, antes baseado em Nova York, para a China, junto com o cinegrafista Lucas Luz. Segundo a emissora, a proposta era trazer um “olhar brasileiro” sobre o país asiático, diferente do que classificou como abordagem norte-americana mais focada na disputa comercial entre as duas potências. As reportagens passaram por cidades como Xangai, Pequim, Hangzhou, Shenzhen e Cantão, destacando avanços como o trem de levitação magnética de Xangai, capaz de ligar o aeroporto ao centro da cidade em pouco mais de sete minutos a 420 km/h.
O que gerou a polêmica
O tom da cobertura chamou atenção nas redes sociais e no meio político por concentrar-se em desenvolvimento econômico, modernização urbana e avanços tecnológicos chineses, sem dedicar espaço semelhante a temas frequentemente presentes em coberturas internacionais sobre o país, como as denúncias de repressão em Hong Kong e de vigilância em massa da população. Um trecho específico, em que a reportagem contrastou a continuidade do partido único chinês no poder há décadas com a instabilidade de obras públicas em democracias polarizadas, circulou amplamente nas redes e foi criticado por setores que viram no comentário uma leitura favorável ao regime de partido único.
Parceria com estatal chinesa no centro do debate
A controvérsia ganhou outra camada quando internautas resgataram um memorando de cooperação assinado em 2019 entre o Grupo Globo e o China Media Group, conglomerado de comunicação estatal chinês que prevê parcerias em produção de conteúdo, transmissões esportivas, entretenimento e tecnologias como 5G e 8K. O atual presidente do China Media Group, Shen Haixiong, ocupa também o cargo de vice-diretor do Departamento de Comunicação do Comitê Central do Partido Comunista Chinês, fato que críticos apontam como motivo de preocupação quanto à independência editorial de conteúdos relacionados à China exibidos pela emissora brasileira.
Emissora não comentou publicamente a polêmica
Até o momento, a Globo não se pronunciou diretamente sobre as críticas ao tom da série, mantendo a justificativa original de que a produção buscava oferecer uma perspectiva brasileira e não alinhada à visão americana sobre a ascensão chinesa.
Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial da Gazeta Nacional.
— Maickel Katz