Política

PF adia depoimento de Daniel Vorcaro para sexta-feira por problemas técnicos

A Polícia Federal adiou para a sexta-feira (28 de agosto) o depoimento de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, sobre suspeitas de favorecimento indevido por servidores do Banco Central. O encontro estava marcado para quinta-feira, mas precisou ser remarcado por questões técnicas.

O depoimento integra investigação que apura a relação do antigo banqueiro com dois ex-supervisores do BC — Paulo Sérgio Neves de Souza e Bellini Santana — investigados por supostos recebimentos de vantagens financeiras e atuação em benefício da instituição durante a crise que resultou na liquidação do Master.

Preso há meses, Vorcaro busca colaborar

Vorcaro permanece preso preventivamente desde março de 2026. Ele havia sido preso na primeira fase da Operação Compliance Zero em novembro de 2025, mas foi liberado dias depois por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. O depoimento de sexta-feira ocorre em meio a negociações travadas para um possível acordo de colaboração premiada, mecanismo pelo qual investigados fornecem informações às autoridades em troca de possíveis benefícios legais.

Conforme pessoas ligadas à sua defesa, a expectativa é que o ex-banqueiro apresente sua versão sobre os fatos investigados, podendo usar o depoimento para demonstrar disposição de colaborar e avançar nas tratativas de delação.

Suspeitas de pagamentos e favorecimento

A investigação centra-se na alegada atuação dos dois servidores do BC durante a crise de liquidez que o Banco Master enfrentava no início de 2025. Segundo apurações do próprio Banco Central e depoimentos à PF pelo diretor de Fiscalização Ailton de Aquino, há indícios de que os supervisores receberam vantagens financeiras e atuaram para beneficiar Vorcaro em discussões internas sobre fiscalização e medidas regulatórias.

Bellini Santana afirmou ter recebido duas parcelas de R$ 500 mil relacionadas a projetos sociais, além de pagamentos mensais via empresa de sua propriedade. Paulo Sérgio relata ter vendido uma propriedade rural por R$ 4,5 milhões a alguém com ligação familiar com Vorcaro, descoberta posteriormente. A PF investiga se esses pagamentos estão relacionados à supervisão do Master.

Informações privilegiadas e resistência às fiscalizações

Mensagens analisadas pela polícia indicam contato frequente entre os supervisores e Vorcaro sobre temas sensíveis do banco. Em abril de 2025, Paulo Sérgio enviou mensagem ao banqueiro mencionando uma possível linha de liquidez para evitar “danos” maiores. Segundo Aquino, os dois servidores demonstravam resistência ao aprofundamento das medidas de fiscalização e insistiram para que o diretor recebesse Vorcaro em novembro de 2025, quando o banqueiro apresentou uma proposta de aporte de investidores árabes.

Preocupação com vazamentos internos

Aquino relatou também que a cúpula do Banco Central estava preocupada com vazamentos de informações sigilosas sobre o Master. Havia percepção de que decisões e análises chegavam ao conhecimento de investigados e da imprensa antes de serem formalizadas. Por isso, a decisão sobre a liquidação do banco foi mantida em círculo extremamente restrito. Embora Aquino não tenha elementos para afirmar que Vorcaro soubesse antecipadamente da liquidação, a insistência do banqueiro em apresentar uma solução de última hora gerou desconfiança.

Investigações administrativas paralelas

Além da investigação criminal, Paulo Sérgio e Bellini respondem a quatro processos administrativos disciplinares na Controladoria-Geral da União — dois contra cada servidor. A defesa de Bellini negou as acusações, afirmando que ele nunca favoreceu o banco e criticou o vazamento de informações sigilosas da investigação. Os demais citados não responderam aos contatos até a última atualização.

Com informações de G1 Política.

Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial da Gazeta Nacional.

— Redação Gazeta Nacional

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