Operações do ICE reduzem abates de gado e afetam preço da carne nos EUA
Operações de repressão à imigração realizadas pelo Immigration and Customs Enforcement (ICE) nas cidades de Dodge City, Liberal e Garden City, no Kansas, têm impactado diretamente a produção de carne bovina nos Estados Unidos. O temor de abordagens por parte do órgão levou trabalhadores de frigoríficos a ausentarem-se, forçando as fábricas a reduzir o ritmo de abate.
Queda de 16% no abate semanal
De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), na quinta‑feira, 24 de setembro, as instalações de processamento abatidas cerca de 90 mil cabeças de gado, queda de 16% em relação ao mesmo dia da semana anterior. Na quarta‑feira anterior, a redução já era de aproximadamente 9%, indicando uma tendência de desaceleração vinculada à escassez de mão‑de‑obra.
Impacto na cadeia de suprimentos
O Kansas responde por grande parte do processamento nacional de carne bovina. Sem trabalhadores suficientes, o escoamento de animais dos confinamentos para os matadouros é atrasado, gerando gargalos que podem elevar ainda mais os preços ao consumidor. O país vive o menor rebanho bovino em cerca de 75 anos, e os cortes de carne já se encontravam em patamares recordes.
Medidas do governo Trump
Em paralelo, a administração de Donald Trump buscou aliviar a pressão sobre os preços ao autorizar a importação temporária de até 300 mil toneladas de carne moída nos próximos 90 dias, sem a aplicação de tarifas adicionais. A medida visa ampliar a oferta no mercado interno, embora enfrente resistência de pecuaristas que temem queda nos preços de venda.
Reação do setor
Entidades representativas da indústria e organizadores locais apontam que a combinação de menor oferta de gado, redução de abates e a possibilidade de entrada de carne importada cria um cenário de incerteza para produtores e consumidores. A investigação aberta pelo governo sobre o funcionamento das grandes processadoras também adiciona um elemento regulatório que pode influenciar preços.
Contexto eleitoral
O debate sobre o custo de vida ganha relevância à medida que os eleitores se preparam para as eleições de meio de mandato em novembro. Uma pesquisa Reuters/Ipsos de setembro mostrou que apenas 17% dos americanos aprovam a atuação de Trump em relação ao custo de vida, evidenciando a sensibilidade do tema.
Com a oferta de carne bovina comprimida pela combinação de fatores climáticos, escassez de mão‑de‑obra e políticas comerciais, o risco de novos aumentos de preço permanece alto, enquanto o governo tenta equilibrar os interesses de produtores, processadores e consumidores.
Com informações de G1 Economia.
Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial da Gazeta Nacional.
— Redação Gazeta Nacional