Javier Milei permanece como único presidente sul‑americano que não reconhece vitória de Lula
O presidente da Argentina, Javier Milei, foi o único líder da América do Sul que ainda não emitiu declaração oficial reconhecendo a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições brasileiras de 2026. Enquanto chefes de Estado de quase todos os países do bloco enviaram mensagens de parabéns, o mandatário argentino manteve silêncio até a manhã de 26 de outubro.
Reações na região
Presidentes de Colômbia, Equador, Chile, Peru, Bolívia, Uruguai, Venezuela, Paraguai, Guiana e Suriname confirmaram publicamente o apoio ao novo presidente brasileiro, destacando a importância da cooperação bilateral e dos desafios compartilhados na América Latina. Muitos desses líderes também reiteraram a necessidade de fortalecer laços dentro do Mercosul e de enfrentar ameaças transnacionais.
Comércio entre Brasil e Argentina
Em 2025, o Brasil foi o principal destino das exportações argentinas, totalizando cerca de US$ 12,8 bilhões, e ao mesmo tempo recebeu importações argentinas que somaram aproximadamente US$ 18,4 bilhões, segundo dados do governo de Buenos Aires. A interdependência econômica reforça a relevância de uma postura diplomática conciliadora entre os dois maiores mercados da região.
Histórico de atritos
O afastamento de Milei não surge de forma inesperada. Desde a campanha eleitoral brasileira, o presidente argentino apoiou publicamente o senador Flávio Bolsonaro e utilizou as redes sociais para criticar Lula, chegando a chamá‑lo de “ladrão corrupto”. Em agosto, durante a convenção nacional do PL em São Paulo, Milei fez ataques diretos ao líder petista e ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, qualificando‑os de “presidiário” e “lixo careca”.
Repercussões diplomáticas
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil convocou o embaixador argentino em Brasília para expressar descontentamento, ao passo que o Itamaraty também solicitou consultas ao seu representante em Buenos Aires. O chanceler Mauro Vieira descreveu o episódio como “sem precedentes”, mas descartou, por ora, medidas mais drásticas como a retirada de diplomatas.
Posicionamento de Lula
Lula inicialmente evitou comentar o silêncio de Milei, respondendo a perguntas da imprensa com a frase “Quem é esse cara?”. Dias depois, ele classificou a postura argentina de “patacoada” e reforçou que o Brasil não aceitará interferências externas em sua política interna.
A falta de reconhecimento por parte de Milei destaca a crescente polarização ideológica na América do Sul, onde governos de direita têm buscado alinhar-se mais estreitamente com a política externa dos Estados Unidos. Enquanto isso, a maioria dos líderes regionais optou por preservar as relações comerciais e políticas, mantendo o foco na cooperação multilateral.
Com informações de G1 Política.
Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial da Gazeta Nacional.
— Redação Gazeta Nacional