Economia

Fed mantém juros nos EUA, mas rachação inédita expõe divisão no banco central americano

O Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, decidiu nesta quarta-feira (29) manter a taxa de juros americana na faixa entre 3,5% e 3,75%. Até aí, nada muito diferente do esperado pelo mercado financeiro. O detalhe que chamou atenção foi outro: pela primeira vez desde 2016, três dirigentes do comitê votaram na direção oposta à maioria, defendendo uma alta de juros em vez de manutenção — e todos com o mesmo raciocínio.

Quem são os dissidentes

Beth Hammack (Fed de Cleveland), Neel Kashkari (Fed de Minneapolis) e Lorie Logan (Fed de Dallas) preferiam elevar os juros em 0,25 ponto percentual nesta reunião. Os três já vinham defendendo publicamente uma política monetária mais dura nas semanas anteriores à decisão. Logan avaliou que os juros precisam subir “moderadamente”, enquanto Hammack citou o peso dos preços altos no bolso das famílias americanas havia mais de cinco anos. Kashkari, no mesmo tom, lembrou que a inflação segue acima da meta de 2% do Fed desde 2021.

Por que isso é raro

Não é todo dia que o Federal Reserve tem uma dissidência de três votos alinhados na mesma direção — isso não acontecia desde setembro de 2016. O resultado final ficou em 9 a 3 pela manutenção, e essa foi a quinta reunião seguida em 2026 em que os juros ficaram parados, mesmo com o preço do petróleo em alta por causa das tensões no Oriente Médio.

O que isso significa pro seu bolso

Juros americanos mais altos por mais tempo tendem a manter o dólar valorizado e a pressionar economias emergentes, Brasil incluso, além de deixar o crédito mais caro por mais tempo nos Estados Unidos. A racha interna no Fed também mostra que a decisão sobre os próximos passos da política monetária americana está longe de ser consenso, o que deve manter o mercado de olho em cada fala dos dirigentes do banco central nas próximas semanas.

Com informações da Reuters e da Bloomberg.

— Maickel Katz

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