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Colapso de geleira desencadeia avalanche mortal no Nepal e Tibete

Uma avalanche de gelo e rochas disparada pelo colapso de uma geleira provocou uma enchente repentina e devastadora na fronteira entre Nepal e Tibete nesta quarta-feira. O desastre deixou pelo menos 160 mortos e centenas de desaparecidos nos dois lados da região montanhosa.

Imagens de satélite fornecidas pela empresa Planet Labs revelam mudanças drásticas na paisagem: encostas que eram verdes estão agora soterradas sob detritos e sedimentos marrons. A parte inferior de uma geleira se desprendeu a cerca de 5.200 metros de altitude e desabou no fundo do vale, aproximadamente 1.200 metros abaixo, segundo análise de especialistas.

Dinâmica do desastre

O evento ocorreu no rio Lhende, a cerca de 20 km a nordeste de um posto de fronteira entre os dois países, no distrito de Rasuwa, uma região de aproximadamente 50 mil habitantes. A avalanche de gelo e rochas gerou uma onda violenta de água, sedimentos e pedras que varreram os sistemas fluviais dos rios Bhote Koshi e Trishuli. Os níveis de água chegaram a subir até nove metros em apenas 30 minutos em algumas áreas a jusante.

Vikram Gupta, especialista em geologia de engenharia da Universidade de Sikkim, na Índia, afirmou que as imagens de satélite confirmam que “uma parte substancial da ponta da geleira desabou, desencadeando o evento — provavelmente incluindo ou arrastando uma quantidade considerável de rochas e sedimentos”.

Derretimento acelerado

Dan Shugar, cientista da Terra da Universidade de Calgary, observou que as imagens indicam um derretimento significativo de neve nos 24 horas anteriores ao desastre. “Algumas das geleiras do vale estavam cobertas de neve ontem e hoje estão, em sua maioria, com o gelo à mostra”, destacou. Embora ainda faltem dados de estações meteorológicas, a evidência visual sugere que houve um período de temperaturas elevadas na região.

Mudança climática acelerada

As montanhas do Nepal perderam quase um terço de seu gelo em pouco mais de 30 anos devido ao aquecimento global, conforme informou a Organização das Nações Unidas em 2023. A agência apontou também que as geleiras do Nepal — situadas entre dois grandes emissores de carbono, Índia e China — derreteram 65% mais rápido na última década comparada à anterior.

Shugar ressalvou que obras de infraestrutura na região também podem ter sido um fator contribuinte. Vários projetos hidrelétricos estão localizados nas áreas mais afetadas. “Se as mudanças climáticas tiveram algum papel nisso, é algo que, sem dúvida, investigaremos em um futuro próximo”, afirmou.

Causas ainda investigadas

Prakash Pokharel, geólogo da Agência Nacional de Redução e Gestão de Riscos de Desastres do Nepal, reforçou que ainda não está claro o que provocou especificamente o colapso da geleira. As investigações seguem em andamento para determinar os fatores exatos por trás da tragédia.

O Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas alertou que inundações, deslizamentos de terra, avalanches e secas estão aumentando em frequência e intensidade em toda a região do Hindu Kush-Himalaia, representando uma grande ameaça para as comunidades locais.

Com informações de G1 Mundo.

Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial da Gazeta Nacional.

— Redação Gazeta Nacional

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