Casos de anorexia e bulimia aumentam 71% nas últimas duas décadas, aponta estudo
Um levantamento internacional que abrange 204 países revelou que os transtornos alimentares mais conhecidos – anorexia nervosa e bulimia nervosa – registraram um crescimento de 71% entre 1990 e 2023. O estudo, publicado recentemente, estima que mais de 18 milhões de pessoas estejam afetadas por essas condições, e os autores alertam para a continuação da tendência até 2050.
Metodologia e abrangência
Os pesquisadores combinaram dados de sistemas de saúde, inquéritos populacionais e registros hospitalares, padronizando as informações para possibilitar comparações entre diferentes regiões. O período analisado cobre mais de três décadas, permitindo identificar mudanças de longo prazo. A amostra inclui países de todos os continentes, o que confere ao estudo um caráter global.
Principais achados
O aumento de 71% corresponde a um acréscimo de aproximadamente 7,5 milhões de casos ao longo de 30 anos. O crescimento foi observado tanto em economias desenvolvidas quanto em nações emergentes, embora a taxa de incidência tenha sido mais acentuada em países de alta renda, onde o acesso a diagnósticos e a serviços de saúde mental é mais estruturado.
Fatores associados
Os autores apontam várias explicações possíveis: maior conscientização e diagnóstico precoce, mudanças nos padrões de beleza impulsionados pelas redes sociais, aumento da pressão acadêmica e profissional, bem como a amplificação de comportamentos de controle alimentar em contextos de instabilidade econômica. Em algumas regiões, a urbanização rápida e a exposição a dietas restritivas também foram citadas como contribuintes.
Repercussões para políticas públicas
Especialistas em saúde pública destacam que o crescimento contínuo desses transtornos exige investimentos em prevenção, capacitação de profissionais e ampliação de serviços de tratamento. “A escalada dos casos não pode ser encarada apenas como uma questão clínica; trata‑se de um problema social que demanda intervenções multidisciplinares”, afirma a psicóloga clínica Drª Mariana Silva, que não participou da pesquisa.
Projeções para o futuro
Com base em modelos estatísticos, os autores projetam que, se a tendência atual persistir, o número de pessoas com anorexia ou bulimia pode ultrapassar 25 milhões até 2050. Essa projeção reforça a necessidade de estratégias preventivas que incluam educação alimentar nas escolas, campanhas de conscientização e políticas regulatórias sobre a publicidade de dietas e suplementos.
O estudo, ao reunir um conjunto amplo de dados e apresentar projeções de longo prazo, oferece um alerta importante para governos, profissionais de saúde e sociedade civil. Enquanto o aumento dos casos de transtornos alimentares reflete transformações culturais e tecnológicas, a resposta institucional ainda está em fase inicial, exigindo ações coordenadas para conter a expansão desse grave problema de saúde mental.
Com informações de DW Brasil.
Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial da Gazeta Nacional.
— Redação Gazeta Nacional