Desemprego recorde de 9,6% no Chile agrava crise econômica diante do ajuste fiscal de Kast
O Chile registrou, nesta semana, a taxa de desemprego mais alta dos últimos cinco anos, atingindo 9,6% da força de trabalho. O número, divulgado pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE), coloca o país em um patamar não visto desde a crise econômica de 2021 e evidencia o impacto imediato das políticas de austeridade anunciadas pelo novo governo.
Plano de ajuste fiscal de José Antonio Kast
Desde a posse, o presidente José Antonio Kast tem defendido um programa de contenção de gastos públicos e reforma tributária. O plano prevê a redução de subsídios estatais, a revisão de benefícios sociais e a elevação gradual de impostos sobre setores de alto consumo. O objetivo declarado é equilibrar as contas públicas, que apresentavam déficit crescente nos últimos dois anos, e restaurar a confiança dos investidores.
Investimentos paralisados
De acordo com dados da Comissão de Investimento Estrangeiro (CIE), novos projetos de capital estrangeiro caíram 27% nos últimos três meses, enquanto obras de infraestrutura em andamento enfrentam atrasos devido à restrição de recursos. Analistas apontam que a insegurança jurídica gerada pelas mudanças fiscais tem desestimulado empresas a iniciar novos investimentos, ampliando o efeito de retração econômica.
Queda na confiança do consumidor
Pesquisa de confiança do consumidor conduzida pelo Banco Central do Chile registrou um recuo de 12 pontos percentuais desde o início do mandato de Kast. O sentimento negativo se reflete no consumo doméstico, que registrou queda de 4,3% no volume de vendas no último trimestre, contribuindo para a elevação do desemprego.
Reação de sindicatos e setores produtivos
Sindicatos organizam protestos nas principais cidades do país, denunciando a perda de postos de trabalho e a deterioração das condições sociais. Em entrevista, o líder da Central de Trabalhadores do Chile (CTC) alertou que a política de corte de gastos pode gerar um círculo vicioso, onde a diminuição da demanda reduz a produção e, por consequência, a necessidade de mão‑de‑obra.
Perspectivas para os próximos meses
Especialistas do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) recomendam que o governo combine o ajuste fiscal com medidas de estímulo setoriais, para evitar que a queda de demanda se consolide em uma recessão prolongada. Enquanto isso, a taxa de desemprego deve permanecer em patamar elevado, a menos que se observe um giro nas políticas de apoio ao consumo e ao investimento.
O cenário atual coloca o presidente Kast diante de um dilema: manter a rigidez fiscal para alcançar o equilíbrio das contas públicas ou flexibilizar as medidas para conter a escalada do desemprego e revigorar a confiança dos agentes econômicos.
Com informações de BBC Brasil.
Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial da Gazeta Nacional.
— Redação Gazeta Nacional