Tecnologia

Vídeos históricos falsos criados por inteligência artificial se multiplicam nas redes sociais

Cenas da Segunda Guerra Mundial, imagens de câmeras de segurança durante o desastre nuclear de Chernobyl e reconstituições de cidades da Roma Antiga: vídeos desse tipo têm circulado cada vez mais nas redes sociais, embora nunca tenham existido de verdade. Eles são produzidos por ferramentas de inteligência artificial capazes de recriar cenários históricos com um realismo que engana até olhares atentos.

Uma tendência que promete preencher lacunas do passado

Para o pesquisador de mídia Roland Meyer, esse tipo de conteúdo responde a uma demanda específica: reconstruir visualmente eventos históricos para os quais nunca existiram registros em imagem ou vídeo. Segundo ele, a inteligência artificial permite recombinar referências do passado para gerar cenas sintéticas que nunca ocorreram, mas que teoricamente poderiam ter acontecido — uma espécie de tentativa de preencher vazios nos arquivos históricos.

Uma promessa que pode enganar o público

Meyer, no entanto, alerta que essa lógica é problemática. Ao criar imagens realistas de momentos que nunca foram registrados, essas ferramentas dão a impressão de reconstituir fatos históricos com precisão, quando na verdade produzem apenas versões sintéticas e especulativas do passado, sem qualquer garantia de fidelidade aos acontecimentos reais.

Marcas d’água nem sempre denunciam a origem

Parte do conteúdo gerado por inteligência artificial ainda é relativamente fácil de identificar, seja por marcas d’água, avisos de plataformas de redes sociais ou notas de contexto adicionadas por outros usuários. O problema é que essas ferramentas evoluem rapidamente, e as marcas que indicam uso de IA costumam ser removidas antes da publicação, o que torna a análise crítica das imagens cada vez mais necessária.

Quando a própria época já denuncia a farsa

Alguns vídeos, porém, contêm um erro grosseiro: retratam períodos anteriores à invenção da fotografia e do cinema, o que torna qualquer “registro em vídeo” logicamente impossível. Foi o que aconteceu com uma publicação no TikTok que mostrava a cidade de Pompeia antes, durante e depois da erupção do vulcão Vesúvio, ocorrida no ano 79 d.C., quando cinzas vulcânicas e lava soterraram a região. O próprio YouTube identificou o material como conteúdo gerado por inteligência artificial.

Atenção redobrada nas redes

Especialistas em checagem de fatos recomendam observar detalhes como vestimentas, comportamentos e cenários que destoam do período retratado, além de desconfiar de vídeos que parecem reconstruir com detalhes cinematográficos eventos para os quais não há qualquer registro fotográfico original. Diante da sofisticação crescente dessas ferramentas, a orientação é simples: quanto mais impressionante e “exclusivo” for um vídeo histórico, maior deve ser o cuidado antes de compartilhá-lo.

Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial da Gazeta Nacional.

— Maickel Katz

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