Tragédia no Himalaia entra no terceiro dia com temor de novos desastres
Operações de resgate nos Alpes do Himalaia entraram no terceiro dia nesta sexta-feira, com equipes enfrentando uma corrida contra o tempo para localizar sobreviventes e vítimas da avalanche de gelo que varreu Nepal e Tibete. O saldo até agora é devastador: pelo menos 389 mortos no Nepal e três no Tibete, com cerca de mil pessoas ainda desaparecidas nos dois territórios.
As autoridades apontam que entre os desaparecidos estão aproximadamente 540 estrangeiros, incluindo turistas, peregrinos e montanhistas atraídos pelas rotas de trekking da região. Os helicópteros continuam sobrevoando vales e cidades isoladas em busca de possíveis sobreviventes, simultaneamente distribuindo alimentos e suprimentos para milhares de pessoas presas em comunidades cortadas do resto do mundo.
Operações em duas frentes
No solo, equipes de resgate utilizam máquinas pesadas e cães farejadores para escavar sob lama e destroços. A amplitude da catástrofe fica evidente pela descoberta de dezenas de corpos muito distantes da área original do impacto, carregados pela força da enxurrada pelos rios que descem das montanhas.
Dibga Tamang, resgatada da cidade mais afetada, Rasuwa, na quinta-feira, relatou o trauma dos sobreviventes: “Todas as nossas pessoas se foram. Estão mortas. Não tenho ninguém esperando por mim. Tudo e todos se foram. É o fim.”
No Tibete, as operações enfrentam entraves logísticos ainda mais severos. Equipes de resgate têm dificuldade para alcançar a região mais atingida próxima à passagem de Gyirong, na fronteira sino-nepalesa, segundo agências estatais chinesas.
Risco de ruptura iminente
Além das buscas, as autoridades monitoram uma ameaça secundária potencialmente catastrófica: lagos formados pelo bloqueio de rios com rochas e destroços. No Nepal, o lago criado no rio Bhotekoshi continua enchendo e corre risco de transbordamento.
Na China, a situação é ainda mais preocupante. Aproximadamente 3 milhões de metros cúbicos de água — equivalente a cerca de 1.200 piscinas olímpicas — deverão chegar nos próximos três dias a um segundo lago obstruído por escombros. Segundo pesquisadores chineses, o pico da cheia está previsto para 1º de setembro.
Alerta de inundações em cascata
Zhu Jinfeng, pesquisador do departamento de hidrologia do Ministério dos Recursos Hídricos da China, alertou à imprensa estatal: “O volume de água continua aumentando, e o risco também”. Autoridades chinesas avaliam como elevado o risco de que o lago transborde ou se rompa completamente, cenário que provocaria inundações em cascata nas regiões a jusante.
O resgate de 350 pessoas presas em um túnel na quinta-feira ofereceu um raro alento em meio à tragédia, mas reforça a urgência das operações nos próximos dias, quando condições climáticas e hídricas se tornam ainda mais perigosas.
Com informações de G1 Mundo.
Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial da Gazeta Nacional.
— Redação Gazeta Nacional