PT aciona Justiça Eleitoral para apurar participação de Milei em convenção do PL
O Partido dos Trabalhadores (PT) e seus aliados na Federação Brasil da Esperança, formada também por PV e PCdoB, protocolaram um pedido junto à Procuradoria-Geral Eleitoral para que seja apurada a participação do presidente argentino Javier Milei na convenção nacional do PL, realizada no último fim de semana e que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República.
Federação questiona uso de estruturas públicas
No documento enviado ao órgão eleitoral, a legenda e seus aliados argumentam que a presença do mandatário argentino no evento não teria sido um fato isolado. Por isso, pedem a abertura de diligências para verificar se houve uso de estruturas públicas — tanto brasileiras quanto argentinas — na organização de um encontro de natureza político-partidária.
Pedido de esclarecimentos sobre custeio da viagem
Entre os pontos levantados está a necessidade de identificar quem arcou com os custos da estrutura que envolveu a visita de Milei, incluindo transporte internacional, hospedagem, segurança e logística. A federação também quer saber se houve emprego de recursos públicos argentinos, uso da máquina administrativa do governo de São Paulo ou qualquer tipo de articulação entre autoridades brasileiras, representantes estrangeiros e a cúpula do partido.
Legenda cita soberania nacional e igualdade eleitoral
Segundo o texto apresentado à Procuradoria, o objetivo não é antecipar um veredito sobre irregularidades, mas garantir transparência sobre um episódio que classificam como amplamente divulgado e usado como ferramenta de forte apelo político e midiático. A federação sustenta que o caso envolve princípios como soberania nacional, legitimidade do processo eleitoral e igualdade de condições entre os futuros candidatos ao Planalto.
Homenagem de Tarcísio de Freitas também é mencionada
O pedido cita ainda a recepção que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ofereceu a Milei no Palácio dos Bandeirantes, sugerindo que também deve ser esclarecido se equipamentos públicos ou estrutura estatal foram usados para reforçar um evento de caráter partidário. Para os autores da representação, esse ponto esbarra em princípios constitucionais como impessoalidade, moralidade administrativa e finalidade pública dos atos de governo.
Próximos passos
Caberá agora à Procuradoria-Geral Eleitoral e, posteriormente, ao Ministério Público Federal avaliar se há elementos que justifiquem a abertura de uma investigação formal sobre o financiamento e a organização da visita do presidente argentino ao evento do PL.
— Maickel Katz