Economia

Polícia Federal identifica fraude de R$ 17,5 bilhões em compras de carteiras do Banco Master pelo BRB

A Polícia Federal concluiu que ex‑dirigentes do Banco Regional de Brasília (BRB) conduziram um esquema fraudulento ao adquirir carteiras de crédito do Banco Master, totalizando R$ 17,5 bilhões. O laudo, cujo sigilo foi levantado pelo ministro André Mendonça na última quinta‑feira, aponta falhas graves de governança, ausência de due diligence e manipulação de controles internos.

Escopo da investigação

O relatório da PF analisou operações que somam R$ 47,8 bilhões, mas concentrou a conclusão nas 25 aquisições aprovadas pela diretoria colegiada do BRB, cujo valor agregado foi de R$ 17,5 bilhões. Segundo o documento, o banco possuía “sinais prudenciais, financeiros e reputacionais relevantes” sobre o Banco Master, mas não os considerou ao decidir pelas compras.

Principais irregularidades apontadas

Entre os desvios identificados, destaca‑se a falta de um processo estruturado de due diligence, mesmo diante de alertas internos e externos sobre liquidez, capitalização e modelo de negócios do Master. Em 22 operações, totalizando R$ 7,63 bilhões, pareceres técnicos foram emitidos somente após o pagamento, invertendo o rito padrão de controle.

Além disso, os peritos observaram que as transações foram fracionadas em lotes de até R$ 750 milhões para evitar a análise agregada pelo conselho de administração, concentrando assim o risco em uma única contraparte. Relatórios internos apontavam vulnerabilidades relacionadas ao lastro, documentação e cadeia de originação dos créditos adquiridos, mas as aquisições continuaram sendo aprovadas.

Responsáveis identificados

O laudo vinculou seis ex‑integrantes da diretoria colegiada às decisões que autorizaram as compras: Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa (presidente), Cristiane Maria Lima Bukowitz (diretora executiva de gestão de pessoas), Dario Oswaldo Garcia Junior (diretor executivo de finanças e controladoria), Luana de Andrade Ribeiro (diretora executiva de controle e riscos), Diogo Ilário de Araújo Oliveira (diretor executivo de atacado e governo) e José Maria Correa Dias Junior (diretor executivo de tecnologia). O diretor jurídico Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo não foi considerado responsável, pois não tinha direito a voto nas deliberações.

Impactos e próximos passos

A constatação de fraude pode desencadear processos criminais contra os ex‑dirigentes e levar a medidas de recuperação de ativos pelo Ministério Público. O Banco Central já liquidou o Banco Master, mas a exposição do BRB ao risco pode exigir reforço de capital e revisão de políticas de governança.

Reação do mercado

Analistas de mercado alertam que o caso pode afetar a confiança dos investidores no setor bancário regional, sobretudo em instituições que mantêm grandes concentrações de risco em contrapartes únicas. O BRB ainda não se pronunciou oficialmente sobre as conclusões do relatório.

Com informações de G1 Economia.

Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial da Gazeta Nacional.

— Redação Gazeta Nacional

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