Jean Paul Getty: do petróleo à solidão, a história do homem mais rico do mundo
Jean Paul Getty conquistou o título de homem mais rico do mundo em 1966, quando sua fortuna era estimada em cerca de US$ 4 bilhões — equivalentes a US$ 23,5 bilhões nos valores atuais. Aos 24 anos já havia ganhado seu primeiro milhão de dólares, descoberto petróleo em um campo de sua propriedade em Oklahoma. Quando morreu, em 1976, aos 83 anos, ele ganhava diariamente mais do que uma pessoa média ganhava ao longo de toda a vida. No entanto, a riqueza imensurável não trouxe a felicidade que se poderia esperar.
Do Oklahoma para Sutton Place
Getty passou seus últimos anos administrando seu vasto império petrolífero a partir de Sutton Place, uma mansão Tudor do século 16 localizada em Surrey, no sudeste da Inglaterra, que ele havia adquirido em 1959. Com 72 cômodos distribuídos por uma propriedade de 700 acres, a casa incluía duas piscinas, 30 residências e alojamentos adicionais, quadras de tênis e um riacho com trutas. Ali, cercado por obras-primas de mestres como Rembrandt, Rubens, Renoir e Gainsborough, o bilionário transformou sua residência em uma fortaleza.
O magnata que tinha medo de voar e de viajar em navios transatlânticos fazia suas refeições em uma mesa de quase cinco metros de comprimento, acompanhado apenas por seu cão de guarda, um pastor alemão. Para evitar que seus convidados acumulassem contas altas de chamadas de longa distância, instalou orelhões em diferentes pontos da mansão. Quando organizou uma festa em julho de 1960, reuniu mais de 2 mil membros da alta sociedade, aristocratas e celebridades, gastando o equivalente a US$ 400 mil em valores atuais.
A segurança obsessiva
Todos os 14 banheiros de Sutton Place estavam conectados a um elaborado sistema de segurança. Janelas e portas foram reforçadas com barras. Placas de “Proibida a Entrada” foram espalhadas pela propriedade, e cercas eletrificadas com arame farpado no topo protegiam o perímetro. O bilionário possuía cães de ataque patrulhando a área e, de acordo com seu neto John Paul Getty 3º, também tinha um leão de estimação chamado Nero circulando pela propriedade, além de guarda-costas e assessores.
Getty era evasivo ao explicar seus temores, mencionando apenas precauções necessárias contra possíveis “malucos… explodindo o lugar com dinamite”. A paranoia aumentou após 1973, quando seu neto de 16 anos foi sequestrado na Itália e mantido em cativeiro por cinco meses, com os sequestradores cortando sua orelha. Getty recusou inicialmente pagar o resgate exigido de US$ 16 milhões, argumentando que tinha outros 14 netos que poderiam também ser sequestrados.
A avareza do homem mais rico
Apesar de sua riqueza incomparável, Getty era famosamente avarento. Em 1963, confessou que esperava do lado de fora de exposições caninas para que o preço do ingresso caísse, e jantava tarde em restaurantes para evitar pagar a taxa adicional pela apresentação de orquestra. “Nunca tive a sensação de estar cheio de dinheiro”, revelou ao entrevistador Alan Whicker da BBC naquele ano.
Para alcançar o sucesso nos negócios, Getty acreditava na importância de ter “uma visão independente sobre as coisas e não se deixar influenciar pelo que os outros dizem”. Sua máxima era simples: “Acorde cedo, trabalhe duro e encontre petróleo”. Ele reconhecia, no entanto, que sua herança paterna foi fundamental — seu pai havia construído um negócio sólido no ramo do petróleo antes de morrer em 1930.
O peso da riqueza
Getty admitia que “grandes responsabilidades financeiras não são, de forma alguma, a chave para a felicidade”. Desde que seu pai morreu e lhe deixou a responsabilidade pelos negócios, ele perdeu “a mesma sensação de leveza que tinha antes”. Isolado em sua fortaleza particular, circundado por símbolos de riqueza, o magnata paradoxalmente encontrava alento nas coisas gratuitas: as ondas do oceano para surfar, o sol, a areia da praia.
“Alguns dos melhores momentos que vivi não me custaram dinheiro algum”, refletiu Getty. Apesar de sua ocupação constante nos negócios, ele negava ter se sentido especialmente sozinho, embora admitisse a pesada carga da riqueza sobre seus ombros. Sua coleção de obras-primas e a propriedade de 600 peças em sua residência em Malibu, posteriormente aberta ao público como o Museu J. Paul Getty em 1954, representavam sua tentativa de imortalizar sua fortuna. No final, porém, o dinheiro não havia comprado o que ele mais procurava: a paz de espírito.
Com informações de G1 Mundo.
Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial da Gazeta Nacional.
— Redação Gazeta Nacional