Política

Erdogan busca reeleição em 2028 mediante eleições antecipadas

O presidente turco Recep Tayyif Erdogan anunciou que pretende concorrer às eleições presidenciais previstas para abril de 2028, contornando o limite constitucional de dois mandatos ao buscar a convocação de voto antecipado.

Estratégia jurídica para driblar a Constituição

Em entrevista concedida ao canal NTV e ao jornal Cumhuriyet, Mehmet Uçum, assessor jurídico de Erdogan, afirmou que, caso 360 dos 600 parlamentares apoiem a proposta de eleições antecipadas, o pleito será realizado no dia 16 de abril de 2028. A Constituição turca permite a antecipação das eleições quando a maioria mínima dos deputados assim decidir, o que abriria caminho para que o presidente, ainda dentro de seu mandato de 2023‑2028, concorra a um terceiro mandato.

Balanço no Parlamento

Atualmente, a aliança entre o Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP) e o partido nacionalista Movimento de Unidade Nacionalista (MHP) controla 326 cadeiras no Parlamento, bem abaixo dos 360 necessários para aprovar a antecipação. Analistas apontam que Erdogan pode buscar apoio entre deputados de partidos menores ou avançar com um projeto de reforma constitucional que altere o limite de mandatos.

Histórico de poder

Erdogan está no poder desde 2003, primeiro como primeiro‑ministro e, a partir de 2014, como presidente. Foi reeleito em 2018 e 2023, totalizando três mandatos consecutivos no Executivo, embora a Constituição limite a presidência a dois mandatos de cinco anos. A manobra proposta visa manter a continuidade de seu governo, que tem sido marcado por forte controle sobre as instituições e por críticas internacionais quanto ao enfraquecimento do Estado de Direito.

Contexto democrático e reações internas

Organizações internacionais têm denunciado retrocessos na democracia turca nos últimos anos. Um relatório da Comissão Europeia, divulgado em novembro de 2025, destacou a deterioração dos direitos humanos e a subordinação do judiciário ao Executivo. Dentro do país, a iniciativa de antecipar as eleições gera debate entre partidos de oposição, que temem a consolidação de um poder ainda mais autoritário.

Possíveis desdobramentos

Se a proposta for aprovada, a data de 16 de abril de 2028 marcará a primeira eleição presidencial antecipada desde a mudança constitucional de 2017, que transformou o sistema presidencialista. Caso a iniciativa falhe, Erdogan deverá cumprir o calendário regular, o que o impediria de concorrer novamente devido ao limite de mandatos. O desenrolar da disputa no Parlamento nas próximas semanas será decisivo para definir o futuro da liderança turca e o rumo da democracia no país.

Com informações de G1 Mundo.

Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial da Gazeta Nacional.

— Redação Gazeta Nacional

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