Durigan nega crise geral na economia e aponta problemas específicos nas Casas Bahia
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, descartou a possibilidade de uma crise generalizada na economia brasileira, apesar de reconhecer que juros elevados pressionam o varejo. Em entrevista concedida nesta sexta-feira, ele afirmou que as dificuldades enfrentadas por varejistas como as Casas Bahia refletem problemas específicos dessas empresas e não um cenário macroeconômico crítico.
Durigan fundamentou sua posição em dados históricos. Segundo o ministro, uma análise de série histórica mais ampla mostra redução no número de falências e recuperações judiciais no país. Nessa avaliação, o varejo aparece atrás de outros setores, como a indústria, em termos de fragilidade.
O ministro recordou que as Casas Bahia já havia passado por uma recuperação extrajudicial anterior, mas não conseguiu superar seus problemas de endividamento. Para Durigan, esse é um caso singular que não pode ser generalizado como indicador de crise econômica.
Juros e dependência de crédito
Durigan reconheceu que o varejo é especialmente sensível aos juros elevados porque depende de crédito tanto para financiar compras dos consumidores quanto para pagar fornecedores. Com a taxa de juros alta, o crédito mais caro reduz a atividade do setor, mas o ministro insistiu que essa pressão não configura uma crise geral da economia.
Ajuste fiscal como resposta
A resposta do governo aos juros elevados, conforme Durigan, passa por melhorar a política fiscal. O ministro informou que o governo já aprovou contenção de despesas e pretende continuar trabalhando para melhorar as contas públicas. Ele citou medidas já aprovadas no Congresso que reduzem o crescimento de despesas obrigatórias e que devem abrir espaço para o próximo ano.
O governo também busca aumentar a arrecadação, reduzir benefícios tributários e limitar gastos com novas contratações. Para 2027, há um limite de 0,6% para incremento de despesa com pessoal, o que força o Estado a investir mais em eficiência e menos em contratações diretas.
Ajuste de 2% do PIB
Durigan mencionou um ajuste fiscal equivalente a cerca de 2% do PIB para o próximo ano, resultado do conjunto de medidas em discussão. Esse cálculo não se limita apenas às exceções relacionadas ao tarifaço e ao Rio Grande do Sul, que possui uma dívida de aproximadamente R$ 100 bilhões com a União.
Medidas de eficiência estatal
O ministro destacou a revisão de gastos obrigatórios, a redução de privilégios indevidos no setor público e militares, além da otimização da máquina estatal como frentes prioritárias. Essas ações, segundo Durigan, podem liberar recursos do Orçamento para investimentos e ajudar a criar condições para redução dos juros.
Passos futuros
Durigan afirmou que o Ministério da Fazenda está preparado para adotar novas medidas conforme houver espaço fiscal. O governo apresentará detalhes de uma medida que deve aliviar a pressão sobre despesas obrigatórias em R$ 10 bilhões ou mais. O ministro reafirmou o compromisso com a responsabilidade fiscal e o objetivo de reduzir a taxa de juros como questão prioritária para o país.
Com informações de G1 Economia.
Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial da Gazeta Nacional.
— Redação Gazeta Nacional