Consumo de luxo: psicologia e economia explicam a ostentação
O desejo de adquirir produtos caros vai além da simples apreciação pela qualidade. Ele se torna um mecanismo de afirmação social, sobretudo quando o bem funciona como sinal de status, pertencimento ou exclusividade. Essa dinâmica, observada em consumidores como Fernanda, que aos 18 anos parcelou uma bolsa de valor superior ao seu primeiro salário, tem explicações tanto econômicas quanto psicológicas.
O que é ostentação?
Ostentação ocorre quando a aquisição de um bem tem a intenção explícita de comunicar algo a terceiros. Não se trata apenas de satisfação pessoal, mas de transmitir uma imagem de prosperidade ou de pertencer a um grupo seletivo. A psicóloga econômica Vera Rita Ferreira ressalta que o ser humano, inerentemente social, busca se destacar e sentir-se especial ao possuir itens que poucos podem acessar.
Raízes econômicas: consumo conspícuo
A teoria do consumo conspícuo, formulada por Thorstein Veblen, descreve a compra e exibição de bens como forma de demonstrar riqueza e posição social. No mercado de luxo, marcas, carros e gadgets tornam‑se símbolos que reforçam hierarquias implícitas. A pesquisa de Nelsio Rodrigues, da Universidade Federal da Paraíba, amplia essa visão ao apontar que o consumo também serve para integrar grupos que compartilham valores e estilos de vida semelhantes.
Dimensão psicológica e identidade
O conceito de “self estendido”, proposto por Russell Belk, indica que os objetos que possuímos contribuem para a construção da identidade. Estudos publicados na revista Frontiers in Psychology (2023) mostram que lembranças de rejeição ou traição aumentam a propensão ao consumo ostensivo. No caso de Fernanda, a sensação de abandono na infância está ligada ao padrão de compras impulsivas como forma de autoafirmação.
Riscos financeiros e a “pobreza de luxo”
Quando a busca por status ultrapassa a capacidade de pagamento, surgem endividamentos. O crédito facilitado e o parcelamento permitem que consumidores adquiram itens de alto valor sem desembolsar o preço total, gerando o fenômeno da “pobreza de luxo”. Fernanda relata ter recorrido a grupos de apoio como Devedores Anônimos e adotado planejamento de gastos para evitar novos compromissos financeiros.
Influência das redes sociais
As plataformas digitais ampliam a comparação social, expondo usuários a estilos de vida de diferentes países e classes. Essa exposição constante intensifica a pressão por consumo, alimentando comportamentos de manada. Para evitar esse efeito, Fernanda decidiu se afastar das redes, reconhecendo que a vitrine online pode mascarar realidades financeiras semelhantes às suas.
Assim, o consumo de luxo se revela como um fenômeno multifacetado, onde fatores econômicos, psicológicos e tecnológicos se entrelaçam, influenciando decisões que vão desde a escolha de uma bolsa até a definição de um estilo de vida.
Com informações de G1 Economia.
Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial da Gazeta Nacional.
— Redação Gazeta Nacional