Clima e escassez alimentar elevam risco de conflitos armados, aponta estudo internacional
Uma nova análise do Índice de Declínio Agrícola Impulsionado pelo Clima (Cadi), elaborada por pesquisadores do Instituto de Análise Econômica (IAE-CSIC) e da Escola de Economia de Barcelona, indica que a combinação de mudanças climáticas e insegurança alimentar pode intensificar a probabilidade de conflitos armados em diversas regiões do planeta.
Secas e eventos extremos comprometem a produção
Os autores destacam que fenômenos como o El Niño já provocaram perdas significativas em áreas tropicais, citando a seca que deixou os arrozais de Java Ocidental, na Indonésia, rachados. Países como Camboja, Bangladesh, Burundi, Nigéria, Paraguai e El Salvador já registram quedas na produtividade agrícola quando comparadas a três décadas atrás.
Conflitos geopolíticos agravam a crise alimentar
Ao mesmo tempo, guerras em curso — notadamente o conflito entre Rússia e Ucrânia e a tensão entre Irã e o estreito de Ormuz — interrompem cadeias de suprimentos de grãos, combustíveis e fertilizantes. Esses choques elevam os custos de produção e reduzem a disponibilidade de alimentos em mercados globais, ampliando a vulnerabilidade de populações já em situação precária.
Riscos de violência não se limitam à escassez
O estudo aponta que, paradoxalmente, áreas onde a produtividade agrícola deve melhorar devido ao clima também podem se tornar focos de disputa. Terras antes marginalizadas ganham valor e atraem investidores, gerando competição por propriedade e acesso a recursos. Segundo o pesquisador Hannes Mueller, “se sabemos que sua terra será mais produtiva no futuro, talvez eu queira tomá-la de você hoje”, ressaltando que a antecipação de ganhos pode desencadear violência.
Instituições democráticas como amortecedor
Mueller enfatiza que a probabilidade de conflito aumenta em regimes não democráticos, onde instituições fracas dificultam a negociação entre grupos com interesses divergentes. Em democracias, apesar da lentidão dos processos, existem mecanismos que permitem a mediação e a busca de soluções pacíficas.
Regiões de alerta: Sul da Ásia e Sahel
Especialistas do Conselho Alemão de Relações Exteriores (DGAP) alertam que o Sul da Ásia, com cerca de dois bilhões de habitantes, depende fortemente de importações de trigo, milho e óleo de palma. A combinação de vulnerabilidade hídrica, ondas de calor e elevação do nível do mar pode transformar a região em um ponto crítico de instabilidade alimentar. No Sahel, o rápido crescimento populacional e a escassez de recursos hídricos também elevam o risco de crises.
Sejam quais forem as causas — secas, guerras ou interrupções comerciais — o estudo conclui que a adaptação climática deve ir além de mudanças tecnológicas no cultivo. É fundamental fortalecer instituições locais, garantir a governança da terra e promover negociações inclusivas para evitar que a crise alimentar se converta em conflito armado nos próximos 25 anos.
Com informações de G1 Economia.
Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial da Gazeta Nacional.
— Redação Gazeta Nacional