Cleitinho desiste de disputar governo de Minas Gerais e chora ao anunciar decisão
O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) anunciou nesta segunda-feira (3) que não vai mais disputar o governo de Minas Gerais em outubro. A decisão, tomada após reunião com a cúpula nacional do partido em Brasília, encerra meses de indefinição e reorganiza o tabuleiro eleitoral mineiro a menos de dois meses do início oficial da campanha.
Um anúncio marcado pela emoção
Visivelmente abalado e chorando, Cleitinho pediu desculpas ao eleitorado mineiro e disse não ter condições emocionais de enfrentar uma campanha no momento. O senador ligou a decisão à morte recente do irmão caçula, Matheus Azevedo, vítima de leucemia. “O momento não está fácil para mim e para minha família. Não adianta eu querer cuidar de vocês se não estou cuidando de mim”, declarou, ao lado dos presidentes estadual e nacional do Republicanos, Euclydes Pettersen e Marcos Pereira.
Meses de indecisão até o desfecho
A saída de cena não veio de surpresa total. Cleitinho vinha adiando sucessivas vezes uma definição sobre a candidatura, prometendo respostas para março, depois maio, em seguida após a Copa do Mundo, e por fim marcando o dia 5 de agosto como prazo final. A ausência do senador na convenção estadual do partido, realizada em 25 de julho, foi vista pela legenda como o ponto de ruptura. Dias antes, a executiva nacional do Republicanos já havia publicado nota informando que ele não seria mais candidato — o que gerou um breve mas público desmentido do próprio senador, que chegou a convocar uma coletiva em praça pública em Divinópolis para reafirmar que concorreria.
Um favoritismo que não se converteu em candidatura
O caso chama atenção porque Cleitinho liderava com folga todos os cenários testados nas pesquisas de intenção de voto para o governo de Minas, tanto no primeiro quanto em simulações de segundo turno. Levantamento Genial/Quaest realizado entre 22 e 26 de julho, com 1.482 eleitores ouvidos, confirmava essa dianteira. Ainda assim, o desgaste da indefinição prolongada, somado ao momento pessoal do senador, pesou mais do que a vantagem nas pesquisas.
Marcelo Aro desponta como novo favorito da direita
Com a saída de Cleitinho, o nome que ganha força imediata é o do ex-secretário da Casa Civil e ex-secretário de Governo de Minas Gerais, Marcelo Aro (PP). Aro já vinha sendo tratado como alternativa nas últimas semanas e participou da reunião em Brasília que selou a decisão do senador, ao lado de Pettersen e do ex-prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão. A expectativa é que Republicanos, PL e a federação União Progressista se unam em torno da candidatura de Aro, evitando uma fragmentação do campo conservador no estado.
Rearranjo de alianças e efeitos colaterais
A movimentação também reorganiza outras peças do tabuleiro. Aro havia deixado a articulação por uma vaga ao Senado — cargo que hoje é ocupado por Carlos Viana (PSD), que busca reeleição — após um desgaste com o PSD por temer que a candidatura de Viana disputasse espaço eleitoral com a sua própria estratégia. Essa mudança de rota já era vista internamente como um afastamento do grupo ligado ao ex-governador Romeu Zema e ao atual governador Mateus Simões, com integrantes do governo estadual recebendo a movimentação de Aro com desconfiança. Aro também é apontado como possível palanque mineiro do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), o que reforça o papel estratégico da disputa por Minas Gerais no tabuleiro nacional.
O que muda para outubro
Sem Cleitinho na disputa, o campo à direita tende a se consolidar rapidamente em torno de Aro, que deve ser oficializado como pré-candidato em breve. Já o campo governista, ligado a Mateus Simões, e outros nomes como Alexandre Kalil (PDT) e Rodrigo Pacheco devem reavaliar suas estratégias diante da saída do que era, até então, o principal favorito nas pesquisas. O primeiro turno das eleições em Minas Gerais está marcado para 4 de outubro, com eventual segundo turno em 25 de outubro.
Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial da Gazeta Nacional.
— Maickel Katz