Candidatos presidenciais veem data centers como aposta para o futuro, apesar da oposição nos EUA
Com a corrida presidencial em alta, a maioria dos candidatos mais bem posicionados nas pesquisas inclui a atração de data centers em seus planos de governo. Entre as propostas, estão incentivos fiscais, fabricação local de componentes e a criação de uma cadeia produtiva de inteligência artificial (IA) no país.
Propostas de cada candidato
O atual presidente Lula (PT) já sancionou o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata), que elimina impostos de importação de equipamentos e condiciona o benefício ao uso de energia renovável ou de baixo carbono, limite de consumo de água e destinação de parte da capacidade para o mercado interno. Flávio Bolsonaro (PL) quer reduzir ainda mais a tributação sobre energia e ligar a demanda dos centros ao aproveitamento nacional de minerais críticos usados em chips de IA. Ronaldo Caiado (PSD) propõe integrar data centers a um plano de desenvolvimento de semicondutores e modelos de linguagem. Renan Santos (Missão) busca transformar o Brasil no maior exportador de processamento de IA, criando zonas com regimes tributários especiais. Romeu Zema (Novo) foca na estabilidade regulatória para garantir segurança jurídica ao setor.
Contexto internacional: resistência nos Estados Unidos
Nos EUA, a expansão de data centers tem encontrado forte oposição popular. Uma pesquisa Reuters/Ipsos mostrou que 64% da população discorda da ideia de acelerar a construção desses empreendimentos, e 57% se opõem à sua instalação em bairros residenciais. Manifestações recentes em Maryland e outras cidades refletem preocupações com consumo de energia e água, além de impactos ambientais. Mesmo assim, o presidente Donald Trump tem defendido o avanço do setor, reunindo CEOs de grandes empresas de tecnologia para discutir segurança de IA.
Diferenças estruturais entre Brasil e EUA
O Brasil conta com cerca de 218 data centers, ocupando o 12º lugar no ranking mundial, enquanto os EUA ultrapassam 4.700 instalações. Além do número, a matriz energética dos dois países diverge: nos Estados Unidos a geração ainda depende fortemente de combustíveis fósseis, já no Brasil a eletricidade provém majoritariamente de hidrelétricas, energia eólica e solar. Essa diferença permite ao Brasil argumentar que a expansão do setor pode ser menos poluidora, reduzindo custos sociais associados ao consumo energético.
Desafios e precauções apontados por especialistas
Daniel Cordeiro, professor da USP especializado em computação sustentável, alerta que o Brasil ainda não enfrenta a escala dos problemas já observados em outros países, mas recomenda antecipar medidas regulatórias para evitar crises futuras. Thais Ortega, do consultoria Reglab, destaca que o consenso entre os candidatos gira em torno do “como” atrair os data centers, não do “se” devem ser instalados, e aponta lacunas ainda a serem definidas, como a definição de “energia de baixo carbono” no Redata.
Perspectivas de impacto econômico
Segundo a Brasscom, o Brasil encerrou 2025 com déficit de US$ 8 bilhões na balança comercial de Serviços de Computação e Informação, indicando que grande parte dos dados ainda é processada no exterior. O aumento da capacidade local poderia reverter esse quadro, gerar empregos qualificados e estimular a cadeia produtiva de semicondutores. Contudo, especialistas ressaltam que a avaliação dos benefícios deve considerar também os custos de infraestrutura, consumo de recursos hídricos e a necessidade de regulamentação clara.
Em síntese, enquanto a população americana demonstra resistência ao crescimento acelerado dos data centers, políticos brasileiros veem nesse segmento uma oportunidade estratégica para posicionar o país como hub de IA e computação em nuvem, desde que acompanhem a expansão com políticas sustentáveis e regulatórias adequadas.
Com informações de G1 Economia.
Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial da Gazeta Nacional.
— Redação Gazeta Nacional