Candidatos focam em resposta à violência contra crianças em vez de prevenção, avalia Unicef
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) analisou os planos de governo das cinco principais candidaturas presidenciais de 2026 e identificou uma lacuna significativa: enquanto quase todas preveem medidas contra a violência que atinge meninos e meninas, a maioria prioriza ações de resposta aos casos em detrimento de políticas preventivas.
A avaliação abrangeu os programas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), conforme registrados na base de dados do Tribunal Superior Eleitoral. Dos 178 pontos mencionados sobre infância e adolescência, 39 tratavam especificamente de violência ou segurança pública.
Resposta versus prevenção
Nas propostas analisadas, predominam medidas reativas como aumento de penas, ampliação do policiamento e fortalecimento da investigação criminal. São menos frequentes as referências a ações preventivas, ao fortalecimento de redes de proteção e a respostas integradas que envolvam educação, assistência social e saúde.
“Não se trata de escolher entre prevenção ou repressão. É preciso investigar e responsabilizar os autores. Mas para proteger crianças e adolescentes é fundamental agir antes que a violência aconteça”, afirma Joaquin Gonzalez-Aleman, representante do Unicef no Brasil.
Diferenças entre candidatos
Os planos de Flávio Bolsonaro e Romeu Zema concentram-se em medidas punitivas e respostas às violências contra ou cometidas por crianças e adolescentes. O programa de Ronaldo Caiado enfatiza investigação e penalização, mas inclui também propostas intersetoriais de prevenção. Lula apresenta o plano mais orientado a ações preventivas de violência infantojuvenil.
Tipos de violência abordados
A violência sexual aparece na maioria dos programas (Lula, Bolsonaro e Caiado). Riscos em ambientes digitais e violência doméstica foram mencionados apenas por Lula e Caiado. Homicídios de crianças e adolescentes em contextos urbanos apareceram apenas no plano de Caiado. Nenhum candidato abordou mortes decorrentes de intervenção policial.
Ausência de recortes sociais
Os programas tratam meninos e meninas como grupo homogêneo, sem considerar diferenças de raça, etnia, gênero, deficiência ou território. O Unicef aponta ausência de referências específicas a crianças negras e indígenas, grupos que enfrentam desigualdades persistentes e maior exposição à violência. Meninas e crianças com deficiências aparecem de forma limitada.
Realidade dos números
Conforme o Anuário de Segurança Pública de 2026, 2.079 crianças e adolescentes foram mortos violentamente no Brasil em 2025—quase 6 por dia. A maioria são adolescentes do sexo masculino e negros. Os maus-tratos dentro de casa cresceram 106% entre 2024 e 2025, atingindo mais de 38 mil casos. Foram ainda registrados 61 mil estupros ou estupros de vulnerável, predominantemente ocorridos em casa por autor desconhecido.
Com informações de G1 Política.
Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial da Gazeta Nacional.
— Redação Gazeta Nacional