Candidatas driblam sistemas de inteligência artificial em processos seletivos
Um número crescente de candidatas a vagas de emprego afirma estar alterando informações em seus currículos, como referências à idade e ao tempo total de experiência profissional, para evitar ser descartada logo na triagem automática feita por sistemas de inteligência artificial usados por empresas de recrutamento.
Currículo “editado” para escapar de filtros automáticos
Relatos recentes de profissionais mostram que a prática já é comum: em vez de destacar décadas de bagagem, muitas candidatas preferem omitir datas de formatura, reduzir a lista de experiências mais antigas e ajustar a linguagem do documento para não sinalizar idade avançada a sistemas automatizados de triagem. Uma delas resumiu a estratégia dizendo ter feito uma espécie de “botox no currículo”.
Como funcionam os sistemas de triagem
Boa parte das grandes empresas já utiliza softwares de inteligência artificial para pré-selecionar currículos antes mesmo de um recrutador humano analisar as candidaturas. Esses sistemas são treinados para identificar palavras-chave, tempo de experiência e outros critérios definidos pelas companhias, descartando automaticamente perfis considerados fora do padrão desejado para a vaga.
Risco de reforçar preconceitos existentes
Especialistas em mercado de trabalho e tecnologia apontam que esses modelos podem reproduzir, de forma automatizada, vieses já presentes em processos seletivos tradicionais, incluindo discriminação etária e de gênero. Como os algoritmos aprendem a partir de dados históricos de contratação, características associadas a mulheres mais velhas podem acabar sendo penalizadas sem que a empresa tenha essa intenção declarada.
Dificuldade de identificar a causa da rejeição
Um dos principais problemas apontados por candidatas é a falta de transparência desses sistemas: raramente uma empresa informa que a rejeição de um currículo ocorreu por decisão automatizada, o que dificulta contestar o processo ou entender exatamente qual critério levou à exclusão da candidatura.
Movimento por mais regulação
O tema tem ganhado espaço em debates sobre regulação do uso de inteligência artificial no mercado de trabalho, com propostas que vão desde a obrigatoriedade de informar quando um processo seletivo é filtrado por algoritmos até auditorias externas periódicas nesses sistemas, na tentativa de reduzir efeitos discriminatórios não intencionais sobre grupos como mulheres em fase avançada de carreira.
Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial da Gazeta Nacional.
— Redação Gazeta Nacional