Tecnologia

Câmeras com inteligência artificial tentam prever crimes antes que aconteçam

Sistemas de videomonitoramento equipados com inteligência artificial vêm sendo adotados por empresas de segurança privada com uma promessa que vai além de simplesmente gravar imagens: identificar comportamentos suspeitos e alertar sobre possíveis crimes antes que eles ocorram. A tecnologia, batizada de policiamento preditivo, já está em uso em instalações privadas no Brasil, mas divide especialistas quanto aos riscos à privacidade.

Como funciona o sistema

Em vez de depender exclusivamente da análise humana das imagens, os sistemas convertem o vídeo captado pelas câmeras em metadados e usam esses dados para reconhecer padrões de comportamento. Quando identificam uma alteração relevante em relação ao padrão esperado — como uma pessoa parada por tempo prolongado em um mesmo ponto —, o sistema emite um alerta automático.

Alerta não substitui decisão humana

De acordo com Nicolau Ramalho, fundador da empresa NoLeak, que desenvolve esse tipo de solução, o sistema não age por conta própria ao identificar uma situação considerada suspeita. Em vez disso, o alerta é encaminhado a um sistema de gestão de vídeo, e cabe a um responsável pela segurança avaliar a imagem e decidir a conduta a ser adotada.

Interesse crescente de empresas

Esse tipo de ferramenta tem atraído empresas que buscam reforçar a segurança de suas instalações, reduzindo a dependência da análise manual de horas de gravação e antecipando reações a situações de risco.

Falta de regulação preocupa especialistas

Apesar do avanço da tecnologia, especialistas alertam para a ausência de regras específicas que orientem o uso desses sistemas no país. A preocupação central é o risco de um estado de vigilância permanente sobre pessoas que não estão cometendo nenhum crime, a partir de julgamentos automatizados sobre o que é ou não um comportamento “suspeito”.

Transparência como exigência

Para especialistas ouvidos sobre o tema, a expansão do policiamento preditivo deveria vir acompanhada de maior transparência sobre os critérios usados pelos algoritmos e de mecanismos de checagem que evitem erros e violações de direitos, especialmente para evitar que os alertas resultem em discriminação ou abordagens indevidas.

Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial da Gazeta Nacional.

— Redação Gazeta Nacional

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