Moraes autoriza busca contra suposta fonte de jornalista em caso ligado a Flávio Dino
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, autorizou na terça-feira (11/8) uma operação de busca e apreensão da Polícia Federal contra Raimundo Cutrim, ex-secretário do governo do Maranhão. Ele é apontado pelos investigadores como uma das fontes do jornalista Luís Pablo, autor de reportagens sobre o uso de veículos oficiais do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares do ministro Flávio Dino, também do STF.
Origem da investigação
O caso começou depois que Luís Pablo publicou as reportagens sobre os veículos. Em março, o jornalista já havia sido alvo de uma primeira operação, quando a PF apreendeu celulares, notebook e outros dispositivos, posteriormente devolvidos após a extração dos dados. Segundo a corporação, a análise desse material levou à identificação de Cutrim como a pessoa que teria fornecido imagens e informações a Luís Pablo.
Novo pedido teve aval da PGR
Com base nesses elementos, a PF solicitou novas buscas contra Cutrim. O pedido recebeu parecer favorável da Procuradoria-Geral da República antes de ser autorizado por Moraes. Entre os materiais que poderiam ser apreendidos estavam aparelhos eletrônicos e documentos.
Entidades de imprensa reagem
A forma como a suposta fonte foi identificada — a partir do material retirado do próprio jornalista — motivou reação de organizações nacionais e internacionais. Em comunicado, a Sociedade Interamericana de Imprensa classificou o episódio como uma “grave ameaça ao exercício do jornalismo” e um “perigoso precedente” para a liberdade de imprensa no Brasil. A ARTICLE 19, a Repórteres Sem Fronteiras, a Federação Nacional dos Jornalistas e associações de veículos de comunicação também se manifestaram, argumentando que medidas capazes de expor fontes ameaçam uma garantia prevista na Constituição.
Suspeita de pagamento também é investigada
Além da questão do sigilo da fonte, a PF apura uma transferência de R$ 100 mil que teria ligação com o caso, além de conversas entre Cutrim e um advogado, ex-secretário municipal de São Luís, também investigado. Luís Pablo nega ter recebido qualquer valor por suas reportagens.
Defesa alega falta de acesso ao processo
A defesa de Raimundo Cutrim afirmou que ainda não teve acesso integral aos autos, que tramitam sob sigilo, e manifestou preocupação com a exposição de uma fonte jornalística. O caso segue sob análise da Justiça, sem decisão final sobre eventual responsabilização.
Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial da Gazeta Nacional.
— Redação Gazeta Nacional