PF divulga nota de apoio ao diretor-geral em meio a atritos com o STF nos casos Master e INSS
Os 27 superintendentes regionais da Polícia Federal assinaram nesta quinta-feira (6) uma nota pública de apoio ao diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues. O gesto reforça um cenário de desconfiança recíproca entre o comando da PF e o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator dos inquéritos sobre o Banco Master e sobre fraudes no INSS.
Origem do atrito
A tensão começou a ficar pública em fevereiro deste ano, quando Mendonça assumiu a relatoria do caso Master no lugar do ministro Dias Toffoli. Em sua primeira decisão, Mendonça determinou que apenas as autoridades policiais e agentes diretamente envolvidos na apuração tivessem acesso às informações do caso, impondo sigilo profissional até em relação a superiores hierárquicos — o que, na prática, restringia o acesso do próprio Andrei Rodrigues aos dados da investigação.
Passagem de Toffoli pelo caso
Durante os cerca de dois meses e meio em que conduziu o processo, Toffoli tomou decisões consideradas incomuns por investigadores: determinou que as provas ficassem sob custódia da Procuradoria-Geral da República, e não da PF; indicou nomes de peritos; reduziu prazos de apuração; e chegou a formular perguntas a serem feitas a investigados. Ele deixou a relatoria depois que Andrei Rodrigues encaminhou ao presidente do STF, Edson Fachin, um relatório apontando que o próprio Toffoli era citado em mensagens encontradas em celulares apreendidos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Posição do diretor-geral da PF
Nos bastidores, Andrei Rodrigues tem classificado como desnecessária a determinação de sigilo imposta por Mendonça, afirmando a interlocutores que nunca interferiu no trabalho de seus subordinados desde que assumiu o comando da corporação, em 2023. A nota assinada pelos superintendentes regionais é lida como uma demonstração de unidade institucional diante da disputa.
Reflexos no caso INSS
O mesmo padrão de desconfiança tem aparecido em decisões de Mendonça sobre as fraudes em descontos associativos do INSS, outro inquérito sob sua relatoria. Trechos de despachos do ministro têm sido interpretados internamente na PF como recados dirigidos à cúpula da corporação, ampliando o desgaste entre as duas instituições.
O que vem a seguir
Por ora, não há sinalização de mudança na relatoria dos dois casos, e a expectativa é de que o noticiário sobre Master e INSS continue pautado tanto pelo avanço das apurações quanto pelos desdobramentos institucionais entre o STF e a Polícia Federal.
Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial da Gazeta Nacional.
— Redação Gazeta Nacional