Polícia Federal desarticula esquema que desviou R$ 45 milhões de clientes da Caixa
Uma investigação da Polícia Federal revelou como uma organização criminosa conseguia acessar contas bancárias de clientes da Caixa Econômica Federal e desviar recursos destinados a programas sociais. Segundo a corporação, beneficiários do FGTS e do auxílio emergencial estavam entre as vítimas dos golpes, que causaram prejuízo estimado em pelo menos R$ 45 milhões.
Beneficiários do FGTS e do auxílio emergencial entre as vítimas
De acordo com a apuração, a quadrilha obtinha acesso indevido às contas das vítimas e realizava os desvios de valores de forma sistemática. O grupo mirava especialmente recursos ligados a programas sociais e trabalhistas administrados pela Caixa, o que ampliava o impacto financeiro sobre uma parcela da população mais vulnerável economicamente.
Dois núcleos, um esquema
O levantamento da Polícia Federal identificou dois núcleos de atuação do grupo. Em São Paulo, um casal coordenava as fraudes e obtinha o acesso inicial às contas das vítimas. Já no Rio de Janeiro, outro integrante comandava as ações do esquema, confirmando operações, definindo datas dos golpes e distribuindo dados das vítimas entre os demais membros da organização. Um terceiro suspeito atuava como operador financeiro, fazendo os recursos desviados circularem entre as duas capitais.
Uso de paraíso fiscal e criptomoedas
Para dificultar a recuperação dos valores pelas autoridades brasileiras, os investigados chegaram a abrir uma empresa nas Ilhas Virgens Britânicas, considerada um paraíso fiscal. Parte dos recursos desviados também era convertida e mantida em criptomoedas, ativos digitais que dificultam o rastreamento pelas autoridades financeiras e policiais.
Vazamento de documento sigiloso da Justiça
Um dos pontos mais graves da investigação foi a descoberta, a partir da análise de aparelhos celulares apreendidos, de que integrantes da quadrilha tinham acesso a um documento protegido por segredo de justiça: a íntegra da decisão judicial que autorizava a operação policial contra o próprio grupo. Por se tratar de material restrito a juízes, investigadores e servidores da Justiça Federal, o vazamento levanta suspeitas sobre possível participação ou vulnerabilidade dentro da própria estrutura judicial. Um dos suspeitos chegou a apagar a mensagem com o documento, mas uma cópia permaneceu registrada no bloco de notas de seu celular, o que permitiu à perícia recuperá-la.
Investigação segue em andamento
A Polícia Federal não descarta a existência de outros núcleos ou participantes ainda não identificados no esquema. O caso deve também motivar apurações internas sobre a origem do vazamento do documento sigiloso, num episódio que combina fraude bancária digital com possível falha de segurança no acesso a informações judiciais protegidas.
Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial da Gazeta Nacional.
— Maickel Katz