Mu Carvalho lança autobiografia ‘Memórias sintetizadas’ e revisita quatro décadas de música brasileira
O pianista, compositor e produtor carioca Mu Carvalho publica nesta quinta-feira a autobiografia Memórias sintetizadas, obra que reúne em 258 páginas as alegrias, tensões e bastidores de uma trajetória que atravessa o rock dos anos 1970, a explosão da música pop nacional e a rotina de criação para a TV Globo.
Do quintal familiar ao cenário nacional
Filho de pianista e neto de pianista de cinema mudo, Mu Carvalho entrou na profissão ainda adolescente, aos 16 anos, como tecladista do Grupo Semente. Em 1975, recebeu convites para tocar nas bandas de Jorge Ben Jor e Moraes Moreira, e em 1977 ajudou a fundar o coletivo A Cor do Som, que se destacou ao mesclar brasilidade e influências pop/rock numa época em que o mercado ainda era resistente ao gênero.
Altos e baixos de uma carreira de sideman
Durante o auge de A Cor do Som, o artista vivenciou turnês intensas pelo Brasil, mas, com o declínio do grupo, passou a integrar projetos de Luiz Caldas, Legião Urbana e Marina Lima, experimentando a instabilidade típica de músicos que atuam como “sideman”. Em 1994, por indicação de seu irmão Sérgio Carvalho, ingressou na TV Globo como compositor de trilhas sonoras incidentais, permanecendo na emissora por quase três décadas e contribuindo para novelas como Chocolate com Pimenta (2003).
Os bastidores da indústria musical
No livro, Mu detalha episódios marcantes, como a pressão da gravadora RCA em 1986 para que A Cor do Som gravasse canções de Michael Sullivan e Paulo Massadas, decisão que culminou no lançamento desfavorável de Gosto do prazer e, posteriormente, na dissolução do grupo em 1987. Relata ainda o processo de criação da música tema de Chocolate com Pimenta, autorada por Aldir Blanc e aprovada rapidamente pelo diretor Jorge Fernando, que se tornou um dos maiores sucessos de sua carreira.
Do quintal à indústria
Além das histórias de bandas, a autobiografia traz a evolução da produção musical de Mu na Globo, onde compôs incômodas trilhas para novelas e programas, e destaca duas composições que marcaram sua fase de autor: “Sapato velho”, escrita com Claudio Nucci e letra de Paulinho Tapajós, e que só alcançou fama ao ser regravada pelo Roupa Nova, e “Chocolate com Pimenta”, que consolidou sua reputação como criador de hits televisivos.
Um legado em construção
Ao fechar o relato, o autor apresenta seu último álbum solo, O mundo é o meu jardim (2025), que sintetiza a ideia central do livro: o quintal criativo de Mu Carvalho se estende por um universo musical sem fronteiras. A obra, editada pela Memorabilia e revisada por Paulo Jeibali, chega acompanhada de textos de Dadi Carvalho, Gilberto Gil e outros nomes da cena, oferecendo ao leitor um panorama honesto e direto de mais de quatro décadas de música brasileira.
Com informações de G1 Pop & Arte.
Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial da Gazeta Nacional.
— Redação Gazeta Nacional