Economia

Polícia Federal aponta produção de documentos falsos pelo Banco Master em operações com o BRB

A Polícia Federal (PF) divulgou nesta sexta-feira (11) um relatório que detalha a confecção de documentos falsos por funcionários do Banco Master. Os papéis, segundo a investigação, foram utilizados para sustentar a cessão de créditos ao Banco de Brasília (BRB), em operações que totalizam quase R$ 48 bilhões.

Estrutura do esquema

Um material interno encontrado no acervo digital do Master, apreendido na Operação Compliance Zero, descreve passo a passo como dados de clientes foram transformados em Cédulas de Crédito Bancário (CCBs), procurações e termos de consentimento. O documento indica que a geração desses papéis envolvia diretores, gerentes, equipes de tecnologia e operacionais.

Uso de ferramentas automatizadas

Em um caso concreto, o gerente Allan da Silva Machado teria criado 2 700 procurações a partir de uma planilha e da ferramenta de mala direta do Word, armazenando os arquivos em pasta intitulada “Demanda BRB‑Tirreno 2700 amostras”. A PF estima que 1 785 desses documentos foram enviados ao BRB como comprovação de créditos supostamente originados pela empresa Tirreno.

Manipulação de comprovantes e datas

Conversas reproduzidas no relatório revelam pedidos para omitir informações em comprovantes de transferência, como números de contrato e histórico, e instruções para retirar data e horário de termos de consentimento. Em um exemplo, um documento assinou eletronicamente em junho de 2025, embora conste como celebrado em janeiro do mesmo ano, sugerindo retroatividade para encobrir irregularidades.

Reação da auditoria externa

A Deloitte, auditor externa que avaliava a conformidade das carteiras, apontou divergências nos contratos. Em resposta, o coordenador de controles Fabrizio Pereira Alencar recebeu orientação do diretor Alberto Felix de Oliveira Neto para classificar as falhas como “erro operacional”. O relatório da PF interpreta essa troca como tentativa de minimizar o impacto das irregularidades.

Conclusão da perícia

Os peritos analisaram R$ 31,74 bilhões em compras de carteiras de crédito feitas pelo BRB ao Master e identificaram um padrão de gestão fraudulenta: pagamentos antecipados, autorizações pós‑liberação de recursos, fracionamento de operações para fugir de limites internos e continuidade de pagamentos mesmo após alertas de risco. A PF afirma que tais práticas vão além de mera gestão temerária e configuram um esquema sistemático para burlar controles.

O ministro André Mendonça, do STF, autorizou a divulgação dos documentos ao levantar o sigilo das investigações, intensificando o escrutínio sobre o caso em meio à crise institucional que afeta a Suprema Corte.

Com informações de G1 Economia.

Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial da Gazeta Nacional.

— Redação Gazeta Nacional

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