Avatares de IA geram lucro e riscos nas redes sociais brasileiras
Personagens criados por inteligência artificial, que não têm existência física, vêm se consolidando como verdadeiros empreendimentos digitais. No TikTok, YouTube e Instagram, esses avatares hiper‑realistas acumulam milhares de seguidores, promovem produtos e recebem pagamentos mensais, configurando um novo modelo de monetização que atrai tanto criadores quanto investidores.
Como funciona o negócio dos avatares sintéticos
Os perfis são produzidos em larga escala com ferramentas de IA que geram roteiros, falas e imagens. Cada roteiro pode ser traduzido e encenado por dezenas de avatares, permitindo que o mesmo conteúdo alcance diferentes idiomas e regiões. A receita vem de diversas fontes: anúncios nas plataformas, comissões sobre vendas em marketplaces, divulgação de infoprodutos e até a valorização dos próprios canais, que podem ser vendidos após atingir métricas de engajamento.
Escala industrial e automatização
De acordo com Fernando Ferreira, pesquisador do NetLab da UFRJ, a estratégia se baseia em converter a atenção dos usuários em receita, usando algoritmos que direcionam os vídeos a públicos específicos. A automação evoluiu de simples curtidas e compartilhamentos para a criação de rostos e vozes que simulam interações humanas, tornando a identificação de conteúdo patrocinado mais difícil.
Riscos à saúde e desinformação
Especialistas alertam que muitos desses avatares promovem produtos de saúde sem comprovação científica, induzindo seguidores a abandonar tratamentos tradicionais. Luã Cruz, da organização Ctrl Z, relata casos em que usuários adotam recomendações falsas e sofrem prejuízos. Além disso, a produção massiva de vídeos “slop” – conteúdo genérico de baixa qualidade gerado por IA – alimenta desinformação ao explorar medo, curiosidade e esperança.
Desafios regulatórios e de responsabilidade
Do ponto de vista jurídico, o uso de avatares não exime os criadores de crimes como estelionato, fraude ou exercício ilegal da medicina, segundo a advogada Gisele Kauer. As plataformas, por sua vez, ainda dependem de autodeclarações dos criadores. O YouTube afirma aplicar rótulos quando identifica conteúdo sintético, mas reconhece limitações na verificação. TikTok e Meta apresentam políticas semelhantes, embora a eficácia seja questionada.
Impacto cultural e futuro dos influenciadores digitais
Pesquisadores como Diogo Cortiz, da PUC‑SP, apontam que a presença de influenciadores totalmente artificiais pode intensificar padrões estéticos inalcançáveis e gerar insegurança emocional entre os usuários. Conforme a tecnologia avança, a linha entre realidade e ficção digital tende a se tornar ainda mais tênue, exigindo maior vigilância por parte das plataformas e dos órgãos reguladores.
Enquanto o modelo de negócios demonstra potencial lucrativo, o cenário evidencia a necessidade urgente de mecanismos de monitoramento, sinalização clara e responsabilização das empresas de tecnologia para proteger o público de manipulações e riscos à saúde.
Com informações de G1 Tecnologia.
Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial da Gazeta Nacional.
— Redação Gazeta Nacional