Política

Mães pela Liberdade: mulheres de El Salvador buscam filhos presos no regime de exceção

Há quatro anos, centenas de mulheres percorrem diariamente delegacias, tribunais e unidades prisionais em El Salvador na esperança de obter informações sobre familiares detidos. O esforço constante deu origem a um coletivo informal conhecido como Mães pela Liberdade, que se reúne para trocar relatos, oferecer apoio mútuo e pressionar as autoridades por transparência.

Rotina de busca nas instituições

As mães descrevem uma rotina exaustiva: deslocamentos longos, filas intermináveis e burocracias que variam de caso a caso. Muitas vezes, chegam ao Ministério Público sem saber se o preso ainda está sob custódia ou foi transferido para outra unidade. A falta de um sistema centralizado de informação obriga as famílias a visitar múltiplas instalações, muitas vezes sem retorno.

Contexto do regime de exceção

Desde a adoção do chamado “regime de exceção” pelo presidente Nayib Bukele, em resposta a gangues violentas, o governo ampliou poderes de detenção preventiva e reduziu prazos processuais. Organizações de direitos humanos apontam que essas medidas aumentaram o número de prisões sem a devida garantia de defesa, intensificando o sofrimento de parentes que ficam à margem das decisões judiciais.

O surgimento das Mães pela Liberdade

O grupo se consolidou a partir de encontros informais em praças e nas áreas de espera dos tribunais. As participantes compartilham documentos, números de processos e estratégias para solicitar informações. Além disso, organizam manifestações pacíficas e enviam cartas à Procuradoria‑Geral, exigindo que autoridades cumpram os protocolos de comunicação com as famílias.

Impacto e desafios

Embora o coletivo tenha conseguido alguns avanços – como a liberação de presos que foram mantidos sem acusação formal – ainda enfrenta resistência institucional. Muitos relatos apontam para respostas evasivas ou a simples recusa de revelar a localização dos detentos, sob a justificativa de “investigações em curso”. A insegurança jurídica se traduz em ansiedade permanente para as mães, que temem represálias ao questionar o Estado.

Perspectivas futuras

Os membros das Mães pela Liberdade planejam ampliar sua rede de apoio, buscando alianças com organizações internacionais de direitos humanos e advogados especializados. O objetivo é criar um canal de comunicação oficial que obrigue o governo a registrar e divulgar, em tempo real, a situação de cada detento, reduzindo assim o sofrimento das famílias.

Enquanto isso, a luta continua a ser marcada por visitas frequentes, cartas enviadas e a esperança de que, algum dia, a palavra “liberdade” volte a ter significado concreto para seus filhos e entes queridos.

Com informações de BBC Brasil.

Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial da Gazeta Nacional.

— Redação Gazeta Nacional

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