Michelle Bolsonaro publica apoio a André Mendonça em Instagram durante crise no STF
Na noite de sábado, 5 de setembro de 2026, a ex‑primeira‑dama Michelle Bolsonaro (PL‑DF) divulgou no Instagram uma mensagem de apoio ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A publicação, que incluía foto dos dois de mãos dadas, chegou em meio a uma disputa institucional entre Mendonça e o presidente do STF, Alexandre de Moraes, sobre as investigações do Banco Master.
Visão religiosa e apoio público
Na legenda, Michelle afirmou ter tido uma visão divina que antecipou a nomeação de Mendonça ao STF, antes mesmo de sua indicação por Jair Bolsonaro em julho de 2021. Ela escreveu: “Em um dia muito marcante, na nossa salinha de consagração, Deus me revelou a sua entrada naquele tribunal… Você é um escolhido e ungido do Senhor”. O texto termina com o encorajamento: “Seja forte e corajoso. Não retroceda!”.
Contexto da indicação de Mendonça
André Mendonça, pastor presbiteriano e ex‑advogado‑geral da União, foi indicado ao STF em julho de 2021, quando o presidente Bolsonaro prometeu escolher um ministro “terrivelmente evangélico”. O Senado aprovou a indicação em 1º de dezembro de 2021 (47 votos a 32) e o magistrado tomou posse em 16 de dezembro, substituindo Marco Aurélio Mello. Michelle acompanhou a votação e celebrou o resultado em vídeos ao lado de lideranças religiosas.
Crise entre Moraes e Mendonça
A publicação de Michelle ocorre após uma semana de tensão entre Moraes e Mendonça. O relator das investigações sobre o Banco Master retirou o sigilo de documentos da Polícia Federal que apontam contatos entre o empresário Daniel Vorcaro, fundador do banco, e autoridades, inclusive o ministro Moraes. Moraes encaminhou relatórios à presidência do STF, acusando Mendonça de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade em duas operações – Compliance Zero (Banco Master) e Sem Desconto (INSS).
O ministro Alexandre de Moraes também questionou a condução das investigações, alegando interferência e escolha de alvos por razões políticas. Mendonça negou as acusações e ressaltou que os documentos apresentados têm confiabilidade baixa ou moderada.
Decisão do presidente do STF
Em 4 de setembro, o presidente do STF, Luiz Edson Fachin, determinou a retirada dos documentos do Inquérito das Fake News e sua transferência para a Petição 16.704, sob responsabilidade da Presidência da Corte. A medida não reconheceu a validade das acusações nem instaurou nova investigação contra Mendonça. Fachin concedeu cinco dias úteis para a Procuradoria‑Geral da República se manifestar sobre a admissibilidade do pedido, prazo que se estende ao próprio ministro.
Repercussões na Polícia Federal e no STF
A controvérsia também chegou à Polícia Federal. A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal pediu que o procurador‑geral da República, Paulo Gonet, se declare impedido de atuar nos procedimentos ligados ao caso. Paralelamente, o ministro Gilmar Mendes apresentou proposta para impedir que delegados e militares exerçam funções processuais ou de assessoramento jurídico nos gabinetes dos ministros do STF, exceto nas áreas de segurança, proposta ainda sujeita à análise da Comissão de Regimento.
O apoio público de Michelle Bolsonaro a Mendonça, marcado por referências religiosas, evidencia a continuidade de um discurso que mescla política, fé e alianças institucionais, ao mesmo tempo em que o STF vive uma fase de intensas disputas internas sobre a condução de investigações de grande repercussão econômica e política.
Com informações de Revista Oeste.
Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial da Gazeta Nacional.
— Redação Gazeta Nacional