Ex-executivo da Meta acusa Zuckerberg de priorizar lucro sobre segurança infantil
Um ex-diretor de engenharia da Meta Platforms testemunhou em tribunal que Mark Zuckerberg criou uma cultura corporativa que levou a empresa a negligenciar a proteção de crianças nas plataformas Facebook e Instagram. Arturo Bejar, que trabalhou na empresa entre 2009 e 2015, depôs nesta quarta-feira (19 de agosto) afirmando que o CEO participava diretamente de decisões-chave e que sua estrutura hierárquica concentrava o poder nos produtos dele.
“Se Mark prioriza algo, montanhas se movem em poucos meses”, declarou Bejar durante o depoimento no tribunal federal de Oakland, na Califórnia, que marca o início do que especialistas consideram o maior julgamento sobre os efeitos das redes sociais na juventude.
Estados acusam modelo de negócio voltado para dependência
O processo é movido por uma coalizão de estados americanos, incluindo Califórnia, Colorado, Kentucky e Nova Jersey, que acusam a Meta de projetar suas plataformas para estimular o uso compulsivo entre jovens. Os demandantes argumentam que a empresa coletou ilegalmente dados de menores de 13 anos e induziu consumidores ao erro sobre a segurança dos serviços.
Os estados apontam que o design deliberado das redes sociais contribuiu para problemas de saúde mental, incluindo ansiedade, depressão e pensamentos suicidas entre adolescentes. Um total de 29 estados está envolvido no caso ou em ações relacionadas.
Crescimento em detrimento da segurança
Bejar conduziu pesquisas sobre a experiência de adolescentes no Instagram entre 2019 e 2021, analisando o impacto da plataforma no bem-estar dos usuários. Em seu depoimento, ele afirmou que a Meta utilizava indicadores como nível de engajamento e número de usuários ativos para avaliar e recompensar funcionários, o que desestimulava investimentos em segurança.
“Tudo depende de como o tempo de desenvolvimento dos produtos é distribuído. Nesse contexto, a segurança sempre ficou em segundo plano”, disse o ex-diretor. Ele também criticou uma ferramenta de pausas no uso que a Meta citava como mecanismo de proteção, afirmando que teria sido “projetada para falhar”, pois não vem ativada por padrão e os lembretes são facilmente ignoráveis.
Verificação de idade negligenciada
Segundo Bejar, a Meta possuía a tecnologia necessária para identificar usuários com menos de 13 anos e exigir verificações adicionais de idade, mas optava por não implementar essas medidas em larga escala. Ele descreveu a postura da empresa como “não pergunte, não conte”, adotada porque era financeiramente mais vantajosa.
O ex-executivo justificou essa lógica com uma frase que sintetiza a estratégia: “Onde estão as crianças de hoje estão também os usuários do futuro”. A abordagem sugeria que atrair menores com menos restrições garantiria usuários adultos rentáveis no futuro.
Precedente de condenações
Este é o primeiro grande julgamento da Meta sobre o tema, com previsão de durar cerca de seis semanas. O CEO Mark Zuckerberg deve prestar depoimento durante o processo. A empresa nega as acusações e argumentou que as opiniões de Bejar extrapolam o escopo de suas funções.
No entanto, a Meta já enfrentou condenações semelhantes. Em um caso movido pelo estado do Novo México, a empresa foi obrigada a pagar US$ 942 milhões em indenizações e multas, além de implementar mudanças nas plataformas. Bejar atuou como testemunha em três dos casos que chegaram a julgamento até agora.
Com informações de G1 Tecnologia.
Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial da Gazeta Nacional.
— Redação Gazeta Nacional